O advogado e pesquisador da história local, Rafael Ferreira de Almeida, acaba de lançar o livro “Capão Bonito na Revolução de 32”, obra que resgata memórias e episódios marcantes da guerra civil que mobilizou o Estado de São Paulo contra o governo de Getúlio Vargas.
Na publicação, Rafael mostra como o conflito afetou diretamente a vida da população capão-bonitense. Há relatos de moradores que, assustados com a chegada dos primeiros aviões, fugiram da cidade, enquanto outros colaboraram ativamente com as tropas paulistas oferecendo hospedagem, cozinhando, guiando soldados por trilhas na mata e até preparando merenda para os combatentes.
Confira a seguir um trecho do livro em que o prédio da atual Escola Jacyra serviu de unidade cirúrgica, atendendo mais de dois mil soldados feridos e doentes. O local era chamado de “Unidade Médica Italiana”, tendo como diretor, o professor Benecdito Montenegro, referência no Brasil na especialidade cirúrgica e havendo participado da Primeira Guerra Mundial na Missão Médica Militar Brasileira. Em seu livro, “Cruzes Paulistas”, Montenegro fala sobre a formação dessa unidade médica de guerra em Capão Bonito:
“ Com a eficiente colaboração da colônia Italiana da Capital, chefiada pela Exma. Sra. condessa Marina Crespi, cuja casa se transformou em verdadeira colmeia de trabalho executado pelas senhoras e senhoritas italianas ou de origem italiana e com a competente direção técnica do prof. Luigi Manginelli, organizou-se uma unidade cirúrgica de guerra, denominada de Unidade Cirúrgica Itália, composta de sete caminhões transformados em ambulâncias e do material necessário para a instalação de um hospital de frente de batalha com capacidade para sessenta leitos. Essa unidade instalou-se no Grupo Escolar de Capão Bonito, convenientemente adaptado para servir de hospital de sangue, por indicação do comandante do Exército Constitucionalista do Setor Sul, coronel Brazílio Taborda. (…) Pelo hospital de Capão Bonito, que funcionou durante os três meses da Revolução, passaram cerca de dois mil combatentes entre feridos, doentes e acidentados.”
O livro também descreve a intensa movimentação política e social na cidade durante o período. Em um dos momentos mais emblemáticos, lideranças locais se reuniram na Praça Rui Barbosa para exigir a saída de Vargas e a promulgação de uma Constituição.
Outro ponto destacado é a importância estratégica de Capão Bonito no conflito. A região serviu de base tanto para os constitucionalistas quanto para o exército federal, tornando-se palco de disputas territoriais. O autor utiliza a expressão “mesopotâmia gameleira” para se referir à localização entre os rios das Almas e Paranapanema, usada como trincheira natural de resistência, reforçada por fortificações construídas ao redor.
Com distribuição gratuita, o livro e mais informações podem ser encontradas no perfil oficial do projeto no Instagram: @capaonarevolucaode32









