Comerciantes reclamam da falta de diálogo da Prefeitura e de possível privilégio com relação às informações oficiais
Capão Bonito ultrapassou nessa semana a marca de 100 mortes pela Covid-19 e ainda com um patamar alto no número de contaminações diárias, o que segundo especialistas de Saúde consultados pelo jornal O Expresso, corre-se o risco de se ter uma nova onda antes de atingir a imunidade da população devido a uma possível volta à rotina normal e sem os devidos cuidados sanitários.
Os óbitos registrados de janeiro a maio de 2021 em Capão Bonito já superam o número de óbitos do ano todo de 2020. Já são 54 mortes pela Covid-19 somente nos primeiros cinco meses de 2021. No ano passado, a cidade teve 48 mortes causadas pelo coronavírus.
De acordo com os dados do Boletim Informativo da Prefeitura Municipal, Capão Bonito já acumula 102 vítimas da doença e os leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) da Santa Casa local permanecem com taxa de ocupação de 100%.
Na última quarta-feira, dia 12, Capão Bonito computou 61 novos casos de coronavírus e segundo ainda o boletim da Secretaria da Saúde, 76 pessoas suspeitas aguardam o resultado dos exames. No total, já são 3500 pessoas que foram contaminadas pela doença na cidade.
Em 2020, após o pico da primeira onda, o número de casos e mortes começou a cair entre julho e agosto para ter novo aumento a partir de novembro. O surgimento de uma nova cepa do vírus (P.1) em Manaus colapsou o sistema amazonense em janeiro e levou o problema para quase todos os Estados do País entre fevereiro e março deste ano.
A Prefeitura Municipal, atualmente comandada pelo prefeito Julio Fernando, e que deveria estar mais atenta ao controle da contaminação do coronavírus, há algum já não tem mais publicado os números da doença na cidade no perfil oficial do Facebook da municipalidade, que conta com mais de 15 mil seguidores, e deixando disponível apenas na página da Secretaria da Saúde, que tem apenas 3 mil seguidores.
Número de óbito geral
O jornal O Expresso também realizou um levantamento com os números de óbitos gerais divulgados pela funerária Camargo, e fez uma comparação entre os meses de março e abril dos anos de 2020 e 2021.
Segundo a funerária, em março de 2020, registrou-se 30 falecimentos na cidade, e no mesmo mês de 2021, foram 52 mortes. Já em abril de 2020, apenas 12 falecimentos em Capão Bonito, contra 48 óbitos registrados no mesmo período de 2021.
Números oficiais do município também apontam para um crescimento de óbitos na cidade entre janeiro e abril nos últimos três anos. Em 2019, foram 139 mortes. Já no mesmo período de 2020, Capão Bonito registrou 132 óbitos e neste ano, foram 196 falecimentos.
Comércio
Para os profissionais da Saúde ouvidos pelo O Expresso, a maior parte dos comerciantes tem seguido as orientações de uso de máscaras e álcool em gel, distanciamento social e capacidade reduzida no ambiente interno de consumo, porém, antes de uma queda efetiva no número de casos, tem alguns estabelecimentos, como casas noturnas, que continuam recebendo um grande número de frequentadores, na maioria jovens e sem proteção, o que favorece as taxas de transmissão e um possível surgimento de variantes, pois não há nenhum tipo de controle eficiente para detectar o histórico da contaminação.
Comerciantes consultados pela reportagem do jornal O Expresso também reclamaram também da falta de diálogo e transparência nas informações da Prefeitura. Segundo uma das fontes, o prefeito Julio Fernando “não dá as caras” nas reuniões e as decisões ficam a encargo do até então assessor Matheus Francatto, que tem relações diretas com alguns estabelecimentos que funcionam em período noturno. “O controle está na mão de quem não deveria, pois dificulta a vida da concorrência e não tem comunicação, a não ser com as pessoas que ele escolhe a dedo para estar na reunião”, disse um comerciante.
Outro comerciante disse que está sofrendo perseguições. “Só porque eu disse que no outro governo nós tínhamos diálogo com a Prefeitura, agora eles só me persegue, mandando fiscais e vigilância sanitária direto no meu estabelecimento, e enquanto isso, outros funcionam normalmente com casa lotada”, desabafou.









