Num momento em que o país discute corte de salários no Judiciário, com o STF (Supremo Tribunal Federal) tendo determinado um corte grande nos famosos penduricalhos que aumentavam consideravelmente os holerites de membros do Judiciário e de outras carreiras jurídicas no país, a prefeitura de Capão Bonito continua tendo gastos elevados com os conhecidos cargos de confiança.
A reportagem de O Expresso pesquisou nesta semana, através do próprio Portal Transparência, no site da prefeitura, onde estão relacionados os salários de todos os cargos de confiança, que incluem, inclusive, os secretários municipais. Os quase 80 cargos de confiança nomeados pelo prefeito Júlio Fernando custaram somente de salários no mês de abril a bagatela de R$ 425.612,98, sem levar em conta os gastos com encargos previdenciários, FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), férias e 13º salário.
Se forem acrescentados neste mês de abril os valores pagos para cargos eletivos (prefeito e vice-prefeito) e primeira-dama, que é função de caráter voluntário, os valores aumentam em R$ 43.934,00, totalizando por mês a soma de R$ 469.546,98. Se estes valores referentes ao mês de abril fossem multiplicados por 13 (12 meses do ano mais 1 mês de 13º salário) os cargos de confiança da equipe do prefeito Júlio Fernando vão custar em 2026 R$ 6.104.110,74 (seis milhões, cento e quatro mil, cento e dez reais e setenta e quatro centavos).
Um dos dados que mais chamou a atenção na relação que consta do Portal Transparência diz respeito ao salário do secretário municipal dos Negócios Jurídicos, Carlos Pereira Barbosa Filho, que no mês de abril recebeu dos cofres da prefeitura exatos R$ 54.970,74, ou seja, mais de 6 vezes o salário fixado pela Câmara local para secretários municipais que têm estipulado em lei o valor de R$ 8.250,00 para a função.
Os valores gastos com cargos de confiança têm sido motivo de questionamentos pela oposição na cidade e também por servidores de carreira do município, que alegam que muitas das indicações têm mero caráter político e muitas vezes em nada acrescenta tecnicamente à prefeitura. Segundo os servidores que pediram para não se identificar, pois temem serem perseguidos, há evidentes desvios de função.
“Tem advogado nomeado para cargo de supervisor de eventos esportivos, tem diretor que faz serviços de pintura e muitas outras distorções que indicam que muitas das nomeações são políticas. Em quatro anos, os cargos de confiança podem ter um custo somente de salário que pode passar de 24 milhões de reais e isto sem encargo”, disse o servidor.
Estes números apresentados no mês de abril podem subir ainda mais se o prefeito nomear outros cargos de confiança, já que no passado, como em 2024, o número de cargos de confiança beiravam a uma centena.









