O local onde hoje acontecem as atividades do Centro Dia de Atendimento ao Idoso – Quero Vida, é uma das construções remanescentes do período em que a produção do algodão era forte na Região Sudoeste. Hoje, com campos de milhares de hectares ocupados pela soja, a maioria das pessoas que vivem no município nem imaginam que, há um século, Capão Bonito chegou a ter 4 beneficiadoras de algodão para atender tamanha produção.
A origem da economia de algodão no Brasil se divide em duas fases importantes: a primeira foi a produção durante os séculos XVI e XVII no norte e nordeste, com destaque para o Maranhão e Pernambuco, e a segunda foi durante a Guerra da Secessão norte americana (1860-1875) que afetou fortemente a produção das plantações sulistas do país (as plantation). Com a falta de matéria prima para suas fábricas, a já consolidada indústria têxtil inglesa passou a incentivar a produção em outras locais, principalmente no Brasil e na Índia. Com o fim da guerra no hemisfério norte, a demanda por algodão brasileiro diminui e foi superada pela superioridade técnica americana. No Sudoeste Paulista a produção foi mais intensa no fim do século XIX e estendeu-se até as primeiras décadas do século XX como principal atividade agrícola local e até mesmo regional. Consta no anuário de 1909 da então Diretoria do Serviço de Propaganda e Expansão Econômica no Estrangeiro que Capão Bonito possuía pelo menos duas beneficiadoras de algodão e em 1937 o Almanak Laemmert publicou o dobro de beneficiadoras. Em 1927 o relatório da exploração da Comissão Geográfica e Geológica (CGG) do Estado de São Paulo na região de Sorocaba, Itapetininga, Buri, Itapeva, Itaporanga, Sete Barras, Capão Bonito, Ribeirão Branco e Itararé dizia que “A exploração do solo é feita de um modo muito variado e o produto que culmina na produção é o precioso algodão que aí encontra ótimos elementos para a sua extensa cultura e benefício.” As fotografias da expedição mostram a presença de beneficiadoras de algodão em São Miguel Arcanjo, Itapeva (antigamente chamada de Faxina), Itapetininga e Capão Bonito. Ainda no mesmo relatório consta que cidade de Itapetininga chegava a produzir 130.000 arrobas da mercadoria. É provável que essa grande produção abastecesse as 5 fábricas de tecido de algodão, além de vários teares, localizados na microrregião de Sorocaba.
Hoje restam duas construções, cuja origem está na época áurea da cultura de algodão no município. A antiga Machina São José, localizada na rua 7 de Setembro, funcionou por muitos anos como loja de material de construção e mantém da porta e janelas de formato e tamanho originais. A segunda construção é a Machina Nossa Senhora d’Ajuda. As duas fotografias mais antigas desta construção mostram a fachada original e sua modificação ao longo do tempo. Depois de anos fechado e sem uso, a construção foi adquirida nos anos 2000 pelo município e em 2012 foi inaugurado como espaço de convivência para idosos – Quero Vida. Sua reforma é um bom exemplo na cidade de construção histórica bem adaptada a utilização e respeitando a sua história. Conduzida pela arquiteta Renata Venturelli, a reforma respeitou a estrutura original dos galpões, mantendo as amplas janelas e portas e deixando a vista algumas paredes de tijolos à vista. No jardim de entrada estão obras do escultor capão bonitense Leci Medeiros. Sem dúvida esse é um excelente exemplo de como um bem histórico pode ser utilizado pela comunidade sem que perca suas características. Se você tem fotografias, documentos ou histórias sobre a beneficiadora de algodão, envie para mim por email: veronica.volpato@gmail.com ou instagram: @veronicavolp.










