João Francisco da Cruz (1893-1979) nasceu no dia do santo João da Cruz, daí o seu nome de batismo. Ficou mais conhecido no Mato Pavão por “Chico Botelho”.
Filho de Anna Jacinta de Almeida e Gregório José Ferreira, sendo este um dos eleitores do quarteirão do bairro Ferreira das Almas, em 1.901, num total de 686 eleitores no município, quando o Presidente da Câmara Municipal era Fidencio Rodrigues de Carvalho, conforme publicava o primeiro jornal da cidade, “O Democrata”, que era dirigido pelo professor Camilo Lelis e Capitão Calixto de Almeida.
O patronímico Botelho veio da ancestralidade paterna. Seu avô chamava-se Joaquim Ferreira Botelho, sendo talvez, descendente da sétima ou oitava geração de Luiz Ferreira Botelho, um português, natural de Óbidos, que veio ao Brasil, para esta região de Capão Bonito, por volta de 1730, filho de um sapateiro, cristão novo provavelmente. Um estudo feito pelo historiador, Carlos da Silveira, do Instituto Histórico de São Paulo, publicou um artigo no Correio Paulistano, em 1.934, citando que “Luiz Botelho Ferreira, passando-se em revista as sesmarias da zona sul da Capitania de São Paulo, encontra-se o requerimento de 19 de novembro de 1746, em que solicitava sesmaria no Pinheiro Seco, região do Parana-panema, com declaração, no pedido, “que faz 7 anos que lá reside; é casado, com filhos e grande escravatura”.
A sesmaria do Pinheiro Seco foi-lhe concedida por despacho de 18 de janeiro de 1748. Se, vinte anos mais tarde, ele se achava “decadente de bens”, facilmente se avalia como lhe correram as coisas, a ele, Luiz Botelho Ferreira, povoador daquelas paragens. E não teria sido a única vítima dos maus fados.”
Casou-se com Maria Diniz de Jesus, nascida em 1.717, em Pitangui/MG, filha de Christóvão Diniz de Anhaya e de Maria de Zunega Ponce de Leon. Tiveram 4 filhos e 6 filhas, sendo que uma delas, Anna Ferreira, se casou com Domingos da Costa Jácome, Sargento de Ordenanças das Minas do Parana-panema e que possuía duas sesmarias, a do Ribeirão e a do Turvinho. Consta que um dos netos deste Luiz, Joaquim da Costa (1779-1855), tornou-se conhecido por “frei Joaquim de Paranapanema”. Suas filhas, Andreza, Isabel, Thereza e Ana Maria, todas nascidas no distrito das minas, se tornaram freiras no Convento da Luz. Em 1.777, no Recenseamento, Luís Ferreira Botelho estava com 83 anos. O Chico Botelho, meu bisavô, habilidoso carpinteiro, plantava muito abacaxi, tinha engenho de cana para produzir melado, monjolo para produzir farinha, tinha criações de animais no sítio, produzia leite, tudo com a ajuda familiar. Trabalhou também como cantoneiro, fazendo a manutenção de trechos da estrada que liga Capão Bonito à Itapetininga.
Orientou soldados constitucionalistas na Revolução de 32, indicando trilhas e picadas no bairro Mato Pavão, até ajudando no preparo da comida da tropa em sua residência. Quando estourou o maior conflito armado do séc. XX no Brasil, ocorrido nesta região de Capão Bonito, acabou se escondendo com a família para outro bairro. Teve uma das paredes de sua casa de taipa, cravejada de balas do exército federal. Este era João Francisco da Cruz, que casou com Avelina Vicentina do Espírito Santo, pais da minha falecida avó Elisa e outros 10 filhos, a Nenê, Cida, Malvina, Leontina, Thereza, Daniel, João Cruz, Antônio e vivos, Isaltino e Rita.
Rafael Ap. F. Almeida, advogado









