Corantes artificiais, alimentos ultraprocessados e o “Guia Alimentar para a População Brasileira”

Jorge Mancini Filho, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP

 

A proibição do uso de oito corantes artificiais está sendo implementada nos Estados Unidos visando suprimi-los até 2026 na produção de alimentos. Essa medida tem o suporte do Department of Health and Human Services e do Food and Drug Administration (FDA).

Os corantes sintéticos são usados frequentemente como aditivos na produção de alimentos ultraprocessados, destacando-se os cereais matinais, sorvetes, bolachas, salgadinhos, iogurtes, balas, gelatinas, salsichas, entre outros. Esses alimentos são muito consumidos por adultos e principalmente crianças, estimulados pela cor. A utilização de diferentes aditivos na produção de alimentos ultraprocessados pode prejudicar o metabolismo do organismo, acarretando danos à saúde como alergias, alterações do sistema cardiovascular, diabetes tipo 2, obesidade, entre outros.

Os alimentos ultraprocessados são classificados pelo Guia Alimentar para a População Brasileira, elaborado pelo Ministério da Saúde e publicado na segunda edição em 2014, como aqueles que apresentam na sua composição proteínas, óleos e açúcares, além dos aditivos como corantes, edulcorantes, aromatizantes, conservantes e realçadores de sabor, usados para tornar os alimentos ultraprocessados mais atrativos.

Tem-se verificado expressivo aumento de peso da população brasileira entre adultos e de forma alarmante em crianças, o que pode estar relacionado com o consumo de alimentos ultraprocessados.

O médico Cristoffer van Tulleken, em entrevista à seção Equilíbrio do jornal Folha de S.Paulo, em 23 de março de 2025, relata que se submeteu, durante 30 dias, a uma dieta composta de 80% de alimentos ultraprocessados. Nesse período, engordou seis quilos e, para perdê-los, levou aproximadamente dois anos com diferentes consequências emocionais.

Portanto, deve-se destacar a importância das recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira, indicando que a população pode diminuir o consumo dos alimentos ultraprocessados substituindo-os pelos alimentos in natura e minimamente processados. Dessa forma, como consequência, ocorrerá a prevenção da hipertensão, problemas circulatórios, obesidade, alergia, entre outros, promovendo o equilíbrio da saúde individual e contribuindo assim com a saúde pública, minimizando as intervenções medicamentosas e hospitalares.

 

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