Democracia sempre

Aliados do presidente Bolsonaro estão programando para o mês de março uma grande manifestação em São Paulo com críticas ao Legislativo e ao Judiciário.
O próprio presidente teria se manifestado através de áudio num grupo de aliados estimulando a manifestação que pretende reunir pelo menos um milhão de pessoas na Avenida Paulista, o mais importante palco de manifestações naquela que é a maior cidade do país.
Manifestar, protestar, criticar tudo de forma pacífica não deveria ser algo que preocupasse ninguém, embora não seja recomendável que um presidente da República se envolva na organização de uma manifestação contra outros poderes constituídos.
O que não pode ser admitido é que através desta manifestação que muitas vezes vem acompanhada de reivindicações que até são em partes justas, aconteçam gestos totalitários e que indiquem um retrocesso brutal contra a Nação que seria um regime totalitário ou mais precisamente uma ditadura.
Milhões de brasileiros lutaram pela redemocratização do país há menos de quatro décadas, durante esses anos a Nação passou por bons e maus momentos, mas sempre tudo foi resolvido através da democracia com respeito a uma constituição que se não é perfeita, e ela não é, mas que permite que vivamos um estado de direito legítimo onde mesmo as pessoas divergentes se respeitam.
Existem inúmeras coisas que precisam ser consertadas em todos os poderes e ao longo dos anos a classe política falhou muito ao não dar o exemplo que tanto os brasileiros esperam. Citemos só um caso: o governo da ditadura militar quando perdeu a maioria no Senado nas eleições de 1974 resolveu criar o senador biônico fazendo com que cada estado da federação da noite para o dia passasse a ter 3 senadores ao invés de 2 como era a regra. Uma década depois o país se redemocratizou e mesmo assim a classe política não teve coragem de acabar com o terceiro senador e ao longo dos anos os brasileiros tiveram que arcar com um aumento de gastos desnecessários no Legislativo federal graças a toda estrutura de manutenção de um senador a mais por Estado. São essas omissões da classe política que depõem contra ela perante a opinião pública. Num momento em que o país cobra eficiência e diminuição de impostos não é concebível privilégios e gastos desnecessários em todos os níveis de poder. Precisamos aprender com outros países que vivem num regime democrático por centenas de anos que é possível sim termos um regime democrático, mas com respeito ao cidadão e deixar de gastar de forma perdulária os recursos públicos é uma das maiores lições que a classe política precisa aprender.
Tudo que for possível ser feito para mudar este cenário de desperdício, de descaso com o dinheiro público deve acontecer, mas nunca devemos perder do foco algo maior para todos nós que é a democracia.
A possibilidade de cada cidadão escolher livremente seus governantes e de todos termos voz para expressarmos nossas opiniões, independente da opção política, deve ser o cerne do nosso convívio como sociedade civilizada e que respeita os direitos de seus membros.
Divergir sim, mas a democracia deve imperar sempre.

Veja também