O governo Dória, além de ter anunciado uma possível ex-tinção do Itesp, importante órgão de regularização fundiária, disse ainda, por meio de seu Secretário de Projetos e Gestão, Mauro Ricardo, que a Fundação Florestal será extinta nos próximos anos.
Este órgão ambiental, faz a gestão de 102 Unidades de Conservação, inclusive do PE-NAP (Parque Estadual das Nascentes do Paranapanema) em Capão Bonito e dos parques ecológicos da região, como Intervales, Petar e Carlos Botelho. Imagine o Rio Paranapanema, que tem as importantes nascentes em nosso município, não tendo gestão alguma, deixado à deus-dará e ao domínio exclusivo do capital financeiro, sem qualquer regulação.
Até o afluente Rio das Almas, poderá, a longo prazo, ser afetado. Informações ao consumidor disponibilizadas pela SABESP diz que “os mananciais que abastecem Capão Bonito estão situados na bacia hidrográfica do Alto Paranapanema” e que “estão em boas condições e não contêm fontes significativas de poluição”.
O Rio Paranapanema é o menos poluído do estado de São Paulo, quiçá do Brasil e percorre boa faixa do território pau-lista, desembocando no Rio Paraná. Dizem que o ex-prefeito Faustininho, sempre frisava: “Do Contraforte do Paranapanema para ao Brasil”. Até 1.921, Capão Bonito tinha Paranapanema em seu nome.
Quando os tropeiros vinham do sul, rumo as famosas feiras de muares de Sorocaba, percorriam os caminhos ramificados que tinham nesta região, passando pelo Rio Apiaí Mirim, o Paranapitanga e o Parana-panema. O historiador, Aluísio de Almeida, em seu livro “Vida e Morte do Tropeiro” conta que “na estrada de Paranapanema até Tapitininga (que era bairro) já em 1.746 havia vivandeiros, que tinham vendas para mercadejar com os tropeiros. Alcançava-os a correição anual, que se estendia também aos lavradores que vendiam milho em quartilhos”.
Descreve ainda quando a ponte caiu: “o leito da estrada (em 1.876) presta-se apenas a tropas soltas, e com dificuldade a tropas carregadas, e de modo nenhum a carros.
As exíguas quotas consignadas à estrada do sul, quando se tornam efetiva (o que raras vezes acontece) são absorvidas pelos protegidos e afilhados do Governo. Tinham caído as pontes do Itapetininga, Paranapanema e Apiaí. Ganhava 600$ anuais os balseiros do Parana-panema, protegido de um chefe conservador”.
Assim, devido à importância colossal deste Rio, com suas nascentes e histórias, que teve o seu dia comemorado em 27 de agosto, é vital repudiarmos a declaração do governo estadual quanto à extinção da Fundação Florestal.
Rafael Ap. F. Almeida, advogado









