‘Divertida Mente’ reforça a importância de abraçar e compreender novas emoções ao longo da vida

A estreia da continuação da animação “Divertida Mente” foi um sucesso nos cinemas, o filme se tornou a maior bilheteria de 2024. Desde a primeira obra lançada pela Pixar em 2015, a história já havia gerado um grande impacto a respeito de temas relacionados à saúde mental.

No filme, é possível observarmos o que se passa dentro da mente de uma adolescente, através do trabalho realizado pelas emoções: alegria, raiva, medo, nojinho e tristeza, que lidam com as diferentes situações da vida e aprendem a colaborar umas com as outras.

Na continuação, a protagonista entra na adolescência e, com isso, ganha novas emoções em sua mente – a inveja, a vergonha, o tédio e a que tem maior destaque no filme, a ansiedade. A entrada na adolescência é um recurso narrativo simbólico para a complexidade que a vida se torna à medida que crescemos, com novas necessidades como sentir-se pertencente a um grupo, busca por reconhecimento, desejo de ser aceito e de ser apreciado – necessidades humanas básicas que sentimos em nosso íntimo.

Segundo a psicóloga Thamires Costa, o contexto do filme é extremamente valioso para inúmeras reflexões, mas é também um recurso importante para a psicoeducação. “Chamamos de psicoeducação a intervenção psicológica que tem como objetivo educar o público sobre a saúde mental, temática que como bem sabemos, ficou por muito tempo sob a obscuridade do tabu. Conhecer as próprias emoções, conseguir reconhecer e nomear o que se sente é uma habilidade de autoconhecimento importantíssima e filmes como Divertida Mente, colaboram para esse fim, auxiliando na desmistificação dos processos emocionais naturais e comuns a todo ser humano”.

A ansiedade, no filme, aparece como a emoção que precisa garantir tudo isso à protagonista e em prol desse objetivo, reprime – mandando embora – as emoções antigas. “É possível refletir através desse impasse a escolha que precisamos fazer entre ser nós mesmos – com nossos sentimentos e dilemas – ou reprimir tudo isso para nos encaixar no mundo e nas expectativas dos outros, atuando através de uma falsa personalidade. A ansiedade representa essa cobrança interna por perfeição, na crença que somente assim se garante aceitação e amor, o que é uma grande cilada psicológica”, salienta a psicóloga.

Para a profissional, ‘Divertida Mente’ ensina a importância de sermos honestos com nós mesmos e com os outros, de admitir nossas fraquezas, medos e inseguranças e, somente assim, nos integramos como pessoas inteiras e mais saudáveis.

“Todos nós sentimos as mais variadas emoções nas inúmeras crises e situações conflitantes durante a vida, ao compreender isso, deixamos de exigir de nós mesmos um perfeccionismo próprio das máquinas que nada sentem e por isso nada sofrem. Aliás, é sobre dar-se o direito de sofrer e de ter uma vida emocional rica”, completa Thamires Costa.

‘Divertida Mente 2’ está em exibição nos cinemas e a classificação indicativa é livre. Profundo, divertido, sensível e reflexivo, o filme demonstra que crianças e adultos podem se beneficiar do tema saúde mental.

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