Em dois anos de Covid, 210 capão-bonitenses perderam a vida

A pandemia de Covid 19 completou no mês de fevereiro dois anos de sua existência no Brasil. A pandemia que começou pela China e depois se alastrou pela Europa acabou tendo seu primeiro caso diagnosticado em fevereiro de 2020, desta data em diante o país começou as primeiras ações para o combate da doença e entre altos e baixos, com medidas restritivas sendo alternadas com ações de flexibilização o país perdeu mais de 650 mil vidas.

Entre estes óbitos estão os dos 210 moradores de Capão Bonito que perderam a vida na luta contra a pandemia, que abalou o mundo e que somente agora, depois de 2 anos de combate e grande parte da população brasileira já imunizada, dá sinais de que pode finalmente arrefecer e deixar com que todos possam tentar voltar a uma vida normal, apesar de muitas pessoas falarem que o mundo nunca mais será o mesmo depois da Covid.

Em Capão Bonito, o combate à pandemia, como em todo o Brasil, passou por idas e vindas, enfrentaram e lideraram o combate à pandemia dois prefeitos já que a doença chegou em março de 2020 ainda na gestão do ex-prefeito Marco Citadini e continua até hoje na gestão do atual prefeito Júlio Fernando. Foram 10 meses de enfrentamento da pandemia sob comando do ex-prefeito e 14 meses sob o combate sendo feito pela liderança do atual prefeito.

As formas de enfrentar a doença foram distintas entre as duas gestões, houveram erros e acertos, mas nitidamente aqueles que assumiram a gestão tiveram a vantagem de contar com ações encaminhadas na cidade como UTI em funcionamento e terem também um conhecimento maior sobre a doença já que o enfrentamento no país já tinha meses.

Entre moradores da cidade ficou claro que houve uma diferença na forma de enfrentar a doença, a gestão passada do ex-prefeito Marco Citadini, que era muito criticada por parte do comércio por ser a precursora de ações de restrição de funcionamento e até ser taxada de dura, também foi considerada mais bem preparada para dar informações precisas a população. O ex-prefeito é também sempre citado por estar na linha de frente do combate a pandemia, inclusive tendo feito pessoalmente junto com servidores ações de fiscalização em barreiras e bares da cidade. Outro ponto que marcou o combate à pandemia na gestão passada foi os trabalhos de desinfecção da cidade, feito por tratores de agricultores locais todas as noites aos sábados e lavagem de ruas e prédios públicos com apoio da Sabesp durante a semana.

A antiga gestão teve grande sintonia com a Santa Casa local onde foi instalada uma UTI Covid, a única nova UTI na região de Itapeva e chegou a funcionar com 3 unidades Sentinelas, na região central, UBS da Vila Aparecida e UBS da Vila São Paulo.

Na atual gestão a marca tem sido a falta de linha no combate à pandemia, nestes 14 meses as medidas de combate à pandemia como desinfecção foi abandonada, foi mantida somente uma unidade Sentinela e, acima de tudo, as medidas de combate passaram por um autêntico vai e vem, marcado pela inconstância que foram desde flexibilização determinada por assessores do prefeito até tentativa de se fazer um lockdown que foi derrubado por uma decisão judicial.

Durante dos 10 meses de enfrentamento da Covid por Citadini foram a óbitos 48 pessoas ou seja 4,8 por mês, nos 14 meses da atual gestão Júlio Fernando perderam a vida 162 pessoas o que daria 11,57 pessoas por mês. O número de casos também mostra que houve aumento de uma gestão para outra. Na gestão passada foram confirmados 1.267 casos ou seja 126,7 casos por mês de enfrentamento, na atual gestão foram contabilizados 7.605 casos da doença o que dá uma média de 543,2 casos por mês.

Para técnicos da área de Saúde ouvidos pela reportagem d’O Expresso, a diferença entre as duas gestões na forma de combater a doença foi nítida. Para estes técnicos que pediram para não se identificar por temerem represálias, a atual gestão não tem uma linha de comando no combate, já na gestão passada o próprio ex-prefeito liderava o enfrentamento sempre apoiado em decisões técnicas, mas não se furtavam de sua missão de comandar mesmo que se colocasse em risco. Já o atual governo não colocou a cara na rua, para estes técnicos, muitas vezes foram tomadas decisões desencontradas que eram mudadas em poucos dias que dava a entender que estavam perdidos. “Chegaram a fazer uma reunião para volta às aulas presenciais e poucos dias depois tiveram que retroceder. Além disso, o secretário de Saúde chegou a declarar que tinha vencido a pandemia e dias depois houve nova onda de casos que motivou a população a chamar a polícia para ser atendida na Unidade Sentinela. E por fim, o prefeito chegou a se declarar tranquilo mesmo com muitas pessoas morrendo e tendo que estar sendo atendidas na UTI”, disse o técnico.

Procurada pela reportagem d’O Expresso a atual gestão não se manifestou sobre os questionamentos relacionados ao combate à pandemia. Já o ex-prefeito afirmou que sabe que algumas atitudes que tomou lhe causaram prejuízos políticos num ano de eleição, mas disse que faria tudo novamente, pois entende que era o melhor para proteger a cidade e seus moradores.

“Sei que muitos não votaram em mim devido as ações que tomei, mas tenho certeza que sempre tentei fazer o melhor para proteger os cidadãos. Não posso dizer que fiquei tranquilo, pois mesmo sabendo que estava fazendo o possível senti cada uma das 48 vidas que foram perdidas em meu mandato, mas nunca me acovardei e sempre enfrentei a pandemia de frente”, disse o ex-prefeito Marco Citadini.

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