Estudantes de 15 e 16 anos não leem textos com mais de dez páginas, aponta pesquisa

Na data de 23 de abril foi comemorado o Dia Mundial do Livro. O dia escolhido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), tem como propósito celebrar o livro, incentivar a leitura e homenagear os autores. Contudo, dados apontam que no Brasil, país com escritores mundialmente aclamados, a interação com o livro está cada vez mais distante entre os jovens.

Em uma pesquisa realizada pelo Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional), baseada nas informações do programa Internacional de Avaliação dos Alunos (PISA 2018), 10.691 brasileiros foram ouvidos, e entre eles, 66,3% dos estudantes de 15 a 16 anos, afirmam ler até 10 páginas de texto durante todo o ano.

Segundo informações do PISA 2022, cerca de 50% dos estudantes brasileiros não possuem o nível básico em leitura, considerado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), como o mínimo para exercer a plena cidadania. Os dados apresentados demonstram a dificuldade enfrentada por crianças e adolescentes em apreender as informações.

Há também outro fator que pode ter potencializado essa problemática, o estímulo cada vez mais cedo e constante às telas dos aparelhos digitais.
Na cidade de Capão Bonito, esse desinteresse pela leitura também vem sendo notado pelos educadores. Formada em Direito e Matemática, a professora Sabrina Carolina da Rosa Santos, da escola PEI João Batista do Amaral Vasconcellos, diz que uma das principais razões para o declínio do número de leitores no país, é o aumento das mídias sociais na sociedade.
“Quando crianças e jovens buscam praticidade, isso pode impactar negativamente na sua formação cognitiva. Nesse caso, assistir a um vídeo aula é muito mais interessante do que ler um livro, obviamente pouco atraente. Nas redes sociais, é comum ver textos curtos elaborados para leitura rápida. Com a difusão da Internet, esse processo foi potencializado e teve um crescimento significativo”, diz a professora.
“Ler tem muitos benefícios: desenvolver a imaginação, a criatividade, as habilidades de comunicação e aumentar o vocabulário”, ressalta a professora.

Para Andressa Brandino Bernado, Tecnóloga em Silvicultura, Bacharel em Direito e Biologia, o uso constante de dispositivos digitais pode competir diretamente com o tempo dedicado à leitura de livros impressos. “É fundamental explorar formas de integrar as tecnologias digitais à prática da leitura, incentivando o uso responsável e equilibrado desses recursos”.

A professora ainda reflete a importância em oferecer uma variedade de gêneros e formatos de leitura, para atender aos diferentes interesses e estilos de aprendizagem dos estudantes. “Como educadores, temos a responsabilidade de promover a leitura como um hábito prazeroso e enriquecedor. Isso pode ser feito através de atividades como clubes de leitura, discussões em sala de aula, recomendações de livros e a criação de um ambiente escolar que valorize a leitura. O apoio dos pais e responsáveis é fundamental para cultivar o hábito de leitura desde cedo. Incentivar a leitura em casa, compartilhar histórias em família e demonstrar interesse pelos livros são práticas que podem influenciar positivamente o comportamento dos jovens em relação à leitura”

Na opinião da professora, em um mundo cada vez mais dominado pela informação digital instantânea, é importante refletir sobre o valor duradouro e a profundidade que a leitura de textos longos oferece. “A leitura nos permite mergulhar em temas complexos e contemplar ideias de forma mais profunda e crítica, habilidades essenciais para uma cidadania informada e participativa”.

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