Hora de se reinventar

Os desdobramentos da operação Lava Jato que nas últimas semanas atingiram praticamente todos os partidos políticos brasileiros parecem que vão afetar o cenário da disputa eleitoral do pleito previsto para 2018 no país.
Pelo menos é o que tem sido mostrado pelas recentes pesquisas eleitorais feitas por alguns conceituados institutos ligados a grande imprensa e que já apresentam nomes até então considerados sem muitas chances de sucesso eleitoral com possibilidade de sucesso real na disputa devido ao desgaste de nomes tradicionais.
Pelos levantamentos feitos, políticos que até pouco tempo atrás eram cotadíssimos para disputar o pleito estão em baixa nas pesquisas e ao que tudo indica poderão se mostrar não competitivos por terem adquirido uma rejeição que pode in-viabilizar as suas pretensões. Caciques de legendas como o PSDB e o PT, partidos estes que se revezaram no comando da presidência da Republica nos últimos 20 anos, estariam com sérias dificuldades para serem aceitos pelos eleitores entrevistados.
Nomes novos estão despontando nas primeiras prévias como tendo possibilidades reais de vitória, coisa que até pouco tempo atrás não era considerado como algo viável, representantes da direita e da esquerda radical passam a ganhar cada vez mais espaço entre os eleitores que buscam nos representantes destas tendências uma resposta mais dura para os desmandos da política nacional dos últimos anos.
Não será surpresa se candidatos ligado aos militares ou mesmo ao comunismo tenham índices de votação expressiva no ano que vem ou até mesmo poderemos ter candidaturas de postulantes da direita radical ou da extrema esquerda chegando ao 2º turno da disputa.
Também não pode ser descartado surgimento de um presidenciável brasileiro sem vínculo com a política tradicional como ocorreu recentemente na eleição norte-americana em que o empresário Donald Trump acabou vencendo a disputa mesmo não sendo um político tradicional e também não tendo o apoio dos dirigentes do Partido Republicano.
Ao certo, é que políticos brasileiros de longa militância precisam se reinventar caso queiram cair nas graças do eleitor nacional, eleitor este que não aceita mais que a classe política não se adeque a nova realidade de exigências que a população solicita daqueles que queiram atuar na política nacional.
Depois dos acontecimentos mostrados pelo Mensalão e pela operação Lava Jato não há espaço para que políticos à moda antiga continuem com sua forma de agir, misturando as questões de estado com o interesse particular. Há cada vez mais uma cobrança por gestões transparentes e que se comprometam com a boa aplicação dos recursos públicos.
Para dar uma resposta rápida e clara para a população, a classe política precisa se modernizar, se reinventar, caso contrário, veremos nomes tradicionais serem excluídos da disputa dando lugar a novas personalidades que muitas vezes podem estar aproveitando uma onda, mas não serão os reais instrumentos dos avanços que tanto o país precisa.
Que todos da classe política nacional possam entender os recados que estão sendo passados pela população, pois por mais errante que sejam os novos governantes alguns nomes merecem ter uma oportunidade de ao menos tentar uma reciclagem. Se os políticos que aí estão não se viabilizarem, poderemos ter uma eleição imprevisível em 2018 e imprevisibilidade nem sempre é a certeza de algo positivo.

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