Isso é democracia

Os grandes jornais e emissoras de televisão do Brasil dedicaram os últimos dias para fazer a cobertura da eleição presidencial dos Estados Unidos. Isto é justificável pela importância que o país da América do Norte tem no cenário mundial, sendo a maior potência econômica e militar do planeta.

Foram dias dedicados à cobertura da eleição de uma das mais antigas democracias do mundo, apesar de o sistema do colégio eleitoral parecer soar como uma eleição indireta, para nós brasileiros, já que somos acostumados com urnas eletrônicas e com eleições onde cada cidadão vota diretamente no seu escolhido para presidente e a maior soma desses votos populares que farão um candidato vitorioso.

No atual momento de radicalização da política brasileira, a disputa americana também foi motivo de discussão e de troca de farpas entre os grupos políticos brasileiros, sendo que uma parte preferia torcer para a candidata democrata Kamala Harris e outra preferiu optar pelo vitorioso Donald Trump.

Deixando de lado a troca e ataques entre os brasileiros, a eleição americana deixa sinais que devem ser analisados por todo o mundo. Há sem dúvida uma tendência de radicalização e de crescimento de forças políticas que representam os extremos em muitos países do mundo e com isso o crescimento e surgimento de novas lideranças de extrema direita.

E essa tendência de crescimento da extrema direita também ficou clara na disputa americana, onde as propostas mais conservadoras do ex-presidente Trump foram as escolhidas pela maioria dos cidadãos dos Estados Unidos.

Embora muitas pessoas não tenham gostado do resultado da eleição, pois havia nitidamente uma preferência inclusive de parte da imprensa brasileira pela candidatura derrotada da democrata, há que se respeitar o resultado do pleito e entender por qual motivo os americanos escolheram uma proposta mais extremada.

Da mesma forma que as eleições municipais do Brasil mostraram que os partidos de centro direita conseguiram ter êxito nas maiores cidades do país, o recado das urnas americanas também foi indicando uma proposta mais à direita e pragmática.

Isso deve servir de reflexão para aqueles que não concordam com as teses conservadoras vencedoras tanto no pleito brasileiro como nos Estados Unidos. Quem é contrário a essas teses que tirem as devidas lições das urnas e se preparem para as novas realidades e exigências que agradam a população, pois os políticos devem se adequar as exigências dos seus eleitores.

E, acima de tudo, democracia é isso, quem vence tem o direito de colocar em prática suas propostas e quem perde tem o dever de fazer oposição e se preparar para novas disputas no futuro.

Veja também