O juiz Mateus Pandino, da Comarca de Buri, aceitou a denúncia do Ministério Público contra a professora que foi flagrada agredindo alunos de 3 anos na Escola Municipal de Educação Infantil Dona Zoraide Franciso Bonifácio. O órgão a denunciou no dia 17 de novembro por tortura e maus-tratos.
O caso foi registrado na delegacia de Buri no dia 9 de outubro após a direção da escola analisar as imagens das câmeras de segurança e constatar a agressão.
No início do mês, a professora foi indiciada pela Polícia Civil por maus-tratos e tortura, após o inquérito sobre o caso ser concluído.
De acordo com o promotor do caso, Cláudio Alves Teixeira, o juiz negou o pedido de prisão preventiva, mas determinou que a professora comunique à Justiça toda vez que tiver que sair de Capão Bonito – cidade onde mora – até que o processo seja concluído.
O promotor disse ainda que a advogada da professora tem 10 dias para apresentar a defesa e que a Prefeitura de Buri vai ser notificada oficialmente para que a professora não volte ao cargo durante o processo.
Ainda segundo o promotor, uma audiência será marcada para ouvir os envolvidos, com exceção das crianças, que vão ser ouvidas por psicólogos.
A advogada afirmou que vai apresentar a defesa no prazo legal e que protocolou na quarta-feira, dia 22/11, na prefeitura um documento redigido pela professora em que ela pede exoneração do cargo.
Com isso, segundo a advo-gada, poderá ser encerrado o inquérito administrativo aberto pelo município para investigar as denúncias.
Agressões
Uma câmera de segurança instalada na escola flagrou o momento em que a professora do maternal agride dois alunos de apenas 3 anos.
Nas imagens é possível observar que a professora está sentada em uma cadeira com dois meninos entre as pernas. De repente, ela bate as cabeças das crianças uma na outra.
Na sequência, ela levanta, vai até outro menino e o arrasta até um grupo que brincava no chão. Segundos depois ainda empurra mais um menino que chega a cair.
Além do episódio, ainda de acordo com o MP, a professora já teria agredido uma criança autista com um tapa na boca e deixado outra aluna presa dentro da sala de aula.
A secretária de Educação de Buri, Bárbara Patriarca, disse que uma sindicância interna foi aberta para apurar o que aconteceu. Segundo ela, assim que soube das denúncias, a professora pediu licença médica, foi afastada do cargo e negou as acusações.
“Ela disse que não agrediu as crianças, mesmo com as filmagens. Por conta disso, a direção da escola foi até a delegacia e registrou um boletim de ocorrência”, contou.
Ainda segundo a secretária, a professora já responde a um processo administrativo pelo mesmo problema em outra escola, entre os anos 2014 e 2015.
Na época, a funcionária levou apenas uma advertência.
O caso também foi encaminhado ao Conselho Tutelar.
Segundo o órgão, desde o fato, todos os alunos da sala dessa professora, além daqueles que foram vítimas de agressão, estão tendo acompanhamento psicológico.
A mãe de uma das crianças que foi agredida pela professora, afirma que a sensação foi de revolta ao ver que seu filho tinha sido agredido.
“Ele não queria mais ir à escola e não dizia o porquê. Depois de tanto insistir ele disse que a professora tinha dado um tapa em seu ombro. Fui até a escola pedir esclarecimentos e a diretora me disse que não era só isso e contou as agressões. A sensação que eu tenho agora é de revolta por ver essa cena”, alegou.









