Legítimo, mas sem nível

Este jornal noticiou na semana passada em forma de matéria jornalística, uma demorada discussão que ocorreu na Câmara de Capão Bonito, sobre de quem seriam as responsabilidades pela destruição da vicinal Joaquim Lopes de Almeida, que liga os municípios de Buri e Capão Bonito.

O debate envolveu vários vereadores locais, alguns discursaram de forma mais moderada e outros, que são conhecidos pela sua falta de controle e equilíbrio, disseram palavras bem mais agressivas, chegando inclusive a dizer que algumas doações que são feitas por uma empresa que atua no município, ele considerava como esmola.

De positivo nessa discussão foi que os vereadores estão exercendo um legítimo direito dos membros do Legislativo, já que os nossos edis podem e devem pedir informações, levantar dados e documentos e, acima de tudo, precisam identificar os problemas que afetam a vida dos moradores da cidade.

No caso em questão da destruição da vicinal e as consequências do mau estado da estrada, é um tema que deveria realmente ser analisado pelos representantes do Poder Legislativo local.

Obviamente que o tráfego de caminhões superpesados que transportam madeira para empresas que atuam na área de celulose, são responsáveis pelo menos por parte considerável da degradação da estrada que não foi construída para suportar tráfego tão pesado, também é claro que as prefeituras de Buri e Capão Bonito não têm recursos para fazer um recape e uma manutenção adequada na vicinal.

Essa questão de dificuldade financeira para fazer as melhorias que a estrada precisa é tão evidente, que há meses políticos das duas cidades se mobilizam e buscam apoio de deputados aliados para tentarem convencer o Governo do Estado, através da Secretaria Estadual de Transportes e Logística, a assumir a responsabilidade de manter e recuperar a vicinal Buri – Capão Bonito.

Mas para que o tema seja devidamente debatido, seria muito importante que alguns dos nossos edis, além de um bom comportamento nas sessões, passassem a estudar o caso, procurando verificar quando a estrada foi construída, analisando a Lei de 2012 e o decreto de 2019 que regem sobre o tema, para que possam emitir opiniões com mais conhecimento.

Até mesmo o impacto que a empresa reflorestadora, citada pelos vereadores na sessão, causa ao município, merece mais uma vez ser discutido, mas novamente os nobres edis precisam buscar informações e documentos para que possam se aprofundar nas discussões embasados em dados reais.

Nitidamente, pelo menos parte dos nossos representantes na Câmara de Capão Bonito para discutir um tema desta importância, precisam se preparar para ter maior conhecimento daquilo que falam.

Quanto a discutir a presença da empresa no município e os efeitos que ela causa inclusive na malha viária é mais do que legítimo, mas sem dúvida alguma é preciso elevar o nível dos debates e, infelizmente, não sabemos se alguns dos nossos edis, mesmo tendo dados e informações precisas, têm capacidade intelectual para entender o que devem discutir.

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