Não é de hoje que ouvimos histórias de pessoas que gastam suas economias da vida, a ponto de precisar vender imóveis, para apostar, acreditando que irão virar o jogo. Os vícios em jogos de azar não são uma brincadeira e sim uma doença classificada pela Organização Mundial da Saúde como Ludopatia.
A condição médica é caracterizada pelo desejo incontrolável de continuar jogando. Através dos cassinos online e jogos de azar, hoje disponíveis na palma da mão com o celular, ficou mais fácil jogar. Com isso, o número de pessoas que jogam, vem crescendo, alguns dizem que começaram como uma curiosidade, um passatempo, mas que em pouco tempo, isso se tornou um pesadelo.
O governo está preparando bloqueios, para tentar evitar que pessoas se tornem dependentes e compulsivas em apostas esportivas e jogos online, como o famoso jogo do tigrinho. De acordo com o G1, o Ministério da Fazenda deve concluir nos próximos 15 dias a definição de regras para as plataformas de apostas (popularmente conhecida como bets) e jogos de apostas online para atuarem no país. As normas entrarão em vigor a partir de janeiro. Até o fim do ano, as empresas de jogos têm um prazo para se regularizarem no Brasil. Uma das imposições é exigir que as casas identifiquem e impeçam que pessoas com comportamento de vício, joguem ou apostem.
“Educação é um jeito que a gente quer muito investir para que o apostador entenda que o lugar correto dele é na casa autorizada, onde ele vai ter de fato chance de se divertir de uma maneira responsável, sem colocar sua saúde mental e financeira em jogo e sem beneficiar, por exemplo, ilicitudes”, disse em entrevista à TV Globo, Regis Dudena, que passou a chefiar a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda em abril.
Mas afinal, como a Ludopatia funciona? A Ludopatia, doença do vício pelo jogo, funciona no mesmo mecanismo que a dependência de álcool ou drogas. Ela é causada pelo desenvolvimento da fissura, que é o desejo incontrolável de jogar ou apostar. Nesta situação, a necessidade não é por uma substância, mas pela emoção que apostar e jogar causam ao cérebro.
O processo químico que ativa o sistema de recompensa é o circuito que processa a informação relacionada à sensação de prazer ou de satisfação. A dopamina, hormônio ligado a esse sistema, é liberada quando a pessoa aposta e isso reforça a compulsão, aumentando os níveis de excitação, reduzindo a inibição de decisões arriscadas ou uma combinação de ambos. A fissura dos jogadores em apostar é tão ou mais intensa do que a fissura de dependentes químicos por cocaína ou álcool, por exemplo, segundo pesquisas recentes.
Esta doença não é algo novo, ela vem desde à época das casas de bingo, de jogos de carta e caça-níqueis. No Brasil, por exemplo, existe desde 1993 a ‘Irmandade de Jogadores Anônimos’, que apoia pessoas com dependência de jogo.
E quais são os sinais de que jogar pode ter se tornado um problema? Qualquer pessoa em qualquer idade pode desenvolver o vício no jogo, segundo os especialistas. A abertura para o vício é um processo e, em geral, a pessoa adoecida demora para perceber que a aposta que era rotineira, se transformou em um vício.
Confira a seguir, alguns indícios de que a pessoa pode estar viciada em jogos de azar: planejar constantemente atividades de jogo e pensar em como conseguir mais dinheiro para jogar; precisando apostar quantias cada vez maiores de dinheiro para obter a mesma emoção; tenta controlar, reduzir ou parar de jogar, mas sem sucesso; sente-se inquieto ou irritado quando tenta reduzir o jogo; jogar para escapar de problemas ou aliviar sentimentos de desamparo, culpa, ansiedade ou depressão; para recuperar o dinheiro perdido, acaba apostando mais; mente para familiares ou outras pessoas para esconder que joga ou que está com problemas pelo hábito de jogar; arrisca a perder relacionamentos importantes ou emprego por causa de jogo; pede ajuda financeira ou empréstimos.
Para pessoas com estes sinais, achar que podem parar sozinhas com o vício em jogos, é uma decisão precipitada, pois geralmente não conseguem. Do mesmo modo como em outros vícios, é preciso pedir ajuda, contar com apoio terapêutico, da família e amigos para interromper o ciclo. São necessárias sessões de terapias para reverter esse processo e cuidar para que a ausência daquela emoção, não o faça fazer uma aposta. Assim como no alcoolismo, por exemplo, os tratamentos indicados são terapia individual, em grupo e até familiar.









