Mais cautela nas declarações

O presidente da República Jair Bolsonaro é conhecido por sua impulsividade e por muitas vezes suas declarações acabam causando crises nas mais diversas áreas da administração pública.
Com fama de sincero, mas sem trava na língua, o presidente desde que era deputado federal colecionava um histórico de atritos com seus adversários e com a imprensa por suas respostas ditas de forma impulsiva.
Em muitas vezes as críticas ao presidente surgem simplesmente pela forma como ele se pronuncia. Recentemente o chefe do Executivo brasileiro deu declarações sobre dois temas que mostraram pelo menos coerência de ideias, mas que a expressão do presidente poderia ser mais cuidadosa e com isso não motivaria tanta polêmica. Questionado por jornalistas sobre o desembarque de brasileiros que foram presos e expulsos ao tentar entrar ilegalmente nos Estados Unidos e se iria questionar seu colega presidente americano Donald Trump sobre a medida, o presidente respondeu corretamente ao afirmar que não poderia questionar um presidente de outra nação por este cumprir as leis de seu país.
Dias depois do episódio, Bolsonaro foi interpelado novamente pelos jornalistas se iria tratar com autoridades chineses sobre a possibilidade de mandar buscar brasileiros que estão isolados na China na região onde é maior a epidemia da gripe causada pelo Corona Vírus. Novamente o presidente disse que não faria isso, pois poderia colocar em risco milhões de brasileiros para atender o pedido de apenas algumas pessoas que estão passeando ou moram na China.
Estes dois fatos mostram que muitas vezes o presidente tem lógica em suas colocações, lhe faltando colocar as palavras certas em suas respostas. Talvez se ele respondesse que não seria ético questionar um presidente de outra nação sobre a aplicação de leis de seu país ou se falasse que antes de tentar tirar brasileiros que estão isolados na região do contágio do vírus na China fosse mais prudente esperar e analisar quais seriam os riscos para todo o país desta repatriação ele teria conseguido causar menos polêmicas.
O que se percebe é que o presidente precisa contar até 10 antes de responder jornalistas que estão em suas funções de buscar furos de reportagens e tentam a cada pergunta fazer com que ocorra um novo fato para os veículos que trabalham.
Cada um na sua, o presidente também precisa da cobertura da imprensa para ter bons resultados de avaliação e a imprensa está em busca de polêmicas, mas não custa nada o presidente ponderar um pouco antes de soltar suas pérolas, muitos poderão dizer que Bolsonaro estaria se descaracterizando, mas o que o país mais precisa é ter tranquilidade e passar confiança para o mundo.
Para um país que precisa se desenvolver e precisa de muitas reformas e que vem de uma crise política e institucional que motivou a cassação de uma presidente da República, o mais recomendável é a prudência que muitos dos antecessores de Bolsonaro tiveram.
Desde de janeiro deste ano Jair Bolsonaro não fala mais como um deputado federal e agora representa toda a nação e suas declarações ecoam mundo afora, por isso mais cuidado seria mais do que recomendável.

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