O prefeito de Capão Bonito enviou projeto de lei complementar para o Legislativo capão-bonitense há alguns dias, em que solicitou aos vereadores locais a autorização para criar mais de uma dúzia de cargos de carreira para serem ocupados por servidores concursados em funções gratificadas.
A justificativa oficial para a criação de cargos, em sua maioria de coordenadoria, seria para dotar as secretarias municipais de funções de chefia para condução de bons serviços públicos, mas extraoficialmente este jornal já noticiou que a intenção seria, na realidade, de abrir vagas de funcionários de carreira que estão ocupando cargos de diretoria e passá-los para as funções de coordenadoria e com isso as diretorias ficariam livres para serem ocupadas por aliados dos atuais mandatários do município, que ainda não foram acolhidos, embora já passem de 80 os indicados em cargos de confiança.
Além das suspeitas de que os cargos seriam uma forma de abrir espaço para acomodar aliados que não foram acolhidos ainda pelo governo atual, o que mais chama atenção é que somente um vereador se posicionou clara e coerentemente sobre o tema, pois disse que seria contra a criação de cargos já que desde o começo de janeiro a prefeitura está sob regime de contenção de gastos, pois o prefeito fez publicar um decreto cortando todas a despesas para possibilitar que o município regularize suas contas.
Importante dizer que o prefeito foi reeleito em 2024 e, portanto, ao determinar contenção de gastos logo nos primeiros meses de governo em 2025, assume que gastou mais do que devia no ano anterior, que foi um ano eleitoral e onde muitas promessas e obras foram feitas para ajudar no projeto de reeleição que acabou tendo êxito, mas a um preço que o município está pagamento neste ano de 2025.
Lamentavelmente, os demais vereadores não ouviram o colega que votou solitariamente contra a criação de cargos e decidiram aprovar esse aumento de funções que pode não ter grande impacto financeiro, mas tem grande impacto moral, pois se um município cria cargos quando gasta cerca de 50% do que arrecada com a folha de pagamento, é porque está exagerando neste tipo de despesa.
Pior de tudo isso, é que quem pagará essa conta será a população, que deixará de ter muitos serviços públicos para que aliados dos gestores de plantão possam desfrutar de cargos públicos sem compromisso de atuar em favor do município e sim para agradar seus chefes políticos.









