Há muito tempo este jornal tem noticiado sobre os riscos que a prefeitura de Capão Bonito vinha correndo ao fechar vários contratos com empresas de fora do Estado, especificamente com uma empresa do Amapá, que estranha e coincidentemente venceu seguidas licitações da Secretaria Municipal de Educação.
Em princípio, a tese da prefeitura era de que as construções seriam em sistema modular e ficariam prontas rapidamente, apesar de todos os alertas dados pela opinião pública sobre os riscos de se fechar contratos milionários com uma única empresa cuja sede está a mais de 2.500 quilômetros de Capão Bonito, o atual governo e os auxiliares do prefeito sempre defenderam tais contratações.
O tempo parece estar comprovando que este jornal e parte da opinião pública tinham razão, praticamente todas as grandes obras contratadas pela prefeitura para serem feitas pela empresa TCI da Amapá estão com problemas seríssimos, tanto que a própria prefeitura de Capão Bonito decidiu por rescindir contratos com a empresa para duas obras consideradas emblemáticas, a reforma da escola Sumie Baldissera, que deixaram ser destruída, e para ser recuperada teve um valor estimado em 8 milhões de reais e também a polêmica obra da escola da região central, orçada em 12 milhões de reais.
O caso da escola da região central teve um capítulo desvendado na semana passada, quando engenheiros da prefeitura, que fiscalizavam a sua execução, confirmaram que a obra estava sem nenhuma movimentação desde março de 2023, portanto, mais de um ano paralisada.
Essa obra é ainda mais polêmica por estar sendo construída num terreno comprado no início do mandato pelo valor de 2,3 milhões de reais e num prazo desde a sua avaliação até o pagamento, que durou cerca de 30 dias, prazo este considerado recorde para uma aquisição feita pelo poder público municipal.
A paralisação desta segunda obra por um literal abandono pela empresa do Amapá confirma as preocupações deste semanário, que agora pergunta: como poderá a prefeitura conseguir recuperar algum prejuízo causado pela empresa? Irá notificá-la e cobrá-la a mais de 2.500 quilômetros de distância?
Fica claro que os atuais gestores de Capão Bonito foram no mínimo imprudentes ao não atentarem para essa questão da concentração de todas as obras numa mesma empresa e ainda sendo ela da distante Macapá.
Esperemos que eles tenham sido somente imprudentes, pois se tiverem sido desonestos será uma decepção para muitos e lamentavelmente uma certeza para alguns poucos que haviam cantado a bola.









