Novela da reforma

Este jornal fez uma ampla matéria na semana passada sobre a reforma da escola da Nova Capão Bonito que foi iniciada em 2022 e ainda parece que está tendo problemas para a sua conclusão, mesmo passados quase 3 anos desde que a administração do atual prefeito tentou encontrar soluções das mais estranhas para os problemas estruturais que a obra apresentou.

O que mais chamou a atenção foram as ações tomadas para esta reforma, que deixa atônito qualquer pessoa, mesmo que seja leiga no assunto, com a forma como a obra tem andado.

Primeiro como explicar que a administração municipal deixou de lado um laudo feito por perito experiente do Estado de São Paulo e foi buscar um outro laudo feito por uma empresa do Amapá.

Depois é estranho compreender como uma empresa com sede na região norte, mais precisamente na cidade de Macapá, se interessou em fazer uma obra numa cidade que fica a mais de 2.550 quilômetros de distância. Para piorar, a prefeitura depois de ver esta empresa ganhar inúmeras obras na cidade, decidiu romper contrato com a empresa do Amapá na obra da reforma de escola, tendo ainda mais de 90% para ser realizada. Quando você rompe um contrato de uma obra onde falta mais de 90% para ser realizada, você está assinando um atestado de que fez uma péssima escolha.

Mas os problemas não pararam por aí, depois de romper com a empresa do norte do país, a prefeitura ao invés de fazer um novo processo licitatório, decidiu fazer uma contratação direta na modalidade dispensa de licitação com outa empresa que é considerada “amiga” da gestão e lá se foi um novo contrato no valor de mais de 8 milhões para conclusão da obra.

Quando você acha que tudo de ruim já tinha sido feito nesta obra, surgiu ainda um aditivo de valor da ordem de 47%, passando a obra de 8 milhões para 11 milhões e, por fim, outros aditivos de prorrogação de prazo que estouraram o limite de prazo permitidos numa dispensa de licitação.

E para piorar, a obra ainda não está nem perto de ser concluída, e segundo alguns engenheiros que viram o atual estágio da reforma, os valores que faltam para serem pagos para a empresa que está fazendo não seriam suficientes para que a reforma enfim fosse concluída.

Pelo relatado na matéria de O Expresso da semana passada, fica claro que há muitas coisas por trás desta obra de reforma que precisam ser bem esclarecidas, pois não é admissível tantos erros numa única obra de uma escola que custou 4 milhões para ser construída e vai consumir mais de 12 milhões para ser reformada.

Espera-se que os nossos legisladores cumpram com sua obrigação maior, que é fiscalizar os atos do Poder Executivo e investiguem o que está ocorrendo nessa obra antes que seja tarde demais.

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