Os últimos dias da imprensa nacional foram dedicados sobre a discussão da imposição de tarifas aos produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos, por determinação do presidente americano Donald Trump.
Numa ação política, o presidente dos EUA disse claramente que a taxação de 50% sobre todos os produtos vendidos por nosso país ao seu, deve-se a forma como o ex-presidente Jair Bolsonaro tem sido tratado pelo Poder Judiciário brasileiro.
Pior do que a declaração cristalina de ingerência do presidente americano, foi o posicionamento do deputado federal eleito com milhares de votos dos paulistas, Eduardo Bolsonaro, do PL, de que a taxação ordenada pelo presidente dos Estados Unidos ocorreu após um pedido seu.
Nitidamente com essas declarações o deputado confirmou que trabalhou contra os interesses do seu país e do Estado que o elegeu e que ele deveria representar e defender no Congresso Nacional.
Divergências comerciais são comuns entre países e até seria legítimo o presidente Trump questionar alguns termos da relação comercial com o Brasil, embora nos últimos anos a balança tenha sido amplamente favorável aos norte-americanos, que vendem mais do que compram.
O que não é aceitável é o que o presidente dos Estados Unidos está tentando fazer, que é usar a força da economia de sua nação para interferir na autonomia de um país que tem mais de 200 anos de uma relação comercial e de amizade com o seu.
Além de ameaçar taxar os produtos exportados pelo Brasil, o presidente dos EUA posteriormente determinou a abertura de uma investigação contra o Brasil e questiona até mesmo os pagamentos feitos pelo sistema PIX, que é uma iniciativa do Banco Central brasileiro e que teve início em 2018, quando o presidente era Michel Temer.
O Brasil é um país soberano que deve exigir respeito e não deve admitir qualquer tipo de pretensão de outra nação em influir em seus assuntos internos e que dizem respeito somente aos brasileiros.
Se for aceita essa chantagem do presidente americano, nós estaremos fazendo com que o Brasil se transforme numa republiqueta e perderá todo o respeito internacional, sendo suscetível a qualquer tipo de ataque no futuro de alguma outra potência mundial.
Por fim, se a família Bolsonaro teme pela condenação do ex-presidente, que lute dentro das formas democráticas, pois não vivemos numa ditadura e nem mesmo o ex-presidente e os demais acusados de tentarem dar um golpe de estado, estão sendo ou foram torturados. Estão sendo sim acusados, mas tudo dentro da lei e estão tendo a oportunidade de se defender com seus advogados, até porque o delator do caso da tentativa de golpe de estado foi um ex-ajudante de ordem do próprio ex-presidente e não um adversário político.
Mas usar a aliança política que a família Bolsonaro tem com o atual presidente dos Estados Unidos para prejudicar o país, impondo dificuldades para as empresas locais e até arriscar que muitos brasileiros percam empregos para tentar evitar o julgamento e uma possível prisão do ex-presidente é uma afronta aos brasileiros e, acima de tudo, uma covardia.
O atual presidente da República, Lula, que tem muitos defeitos, ficou preso por quase dois anos em Curitiba e não foi recorrer a nenhum líder externo para que retaliasse o Brasil por sua prisão.
Com todo esse episódio de tensão entre duas nações amigas, esperamos que o Brasil saia ainda mais forte, mas que fique claro também quem age em defesa da nação e quem atua em defesa dos seus próprios interesses, e quem são aqueles que lutam pelo país e quem são os que agem como covardes e pensam somente nos seus interesses.









