Texto e foto Verônica Volpato
Vocês sabiam que objetos como coretos podem ser considerados patrimônio cultural? Por representarem a memória e a identidade de uma comunidade, eles guardam histórias coletivas, tradições musicais e práticas sociais de diferentes épocas. Além disso, o coreto e sua tipologia arquitetônica podem ser considerados uma das mais simpáticas estruturas presentes nas praças urbanas no interior do Brasil. Sua presença ativa a memória afetiva popular de um tempo romântico em que tudo era mais simples e a convivência nos espaços comuns dos passeios públicos era calorosa e musical. Palco de bandas, orquestras, serestas, campanhas políticas e eventos religiosos, esse pequeno palco ornamentado centraliza a cultura de algumas gerações.
A existência do coreto e sua instalação nas praças públicas indicam claramente uma forte cultura musical do final do século XIX e início do século XX no Brasil. As bandas musicais eram bastante populares nesse período. Surgiram algumas décadas antes com a chegada da família real e tinham formação militar, sendo frequentemente fardadas e compostas por militares ou civis. Hoje, as bandas marciais são herdeiras deste estilo. Há registros sobre o primeiro concerto de banda realizado em Sorocaba no ano de 1898 por ocasião, justamente, da inauguração de um coreto.
Em Capão Bonito existiram dois coretos, sendo que o mais antigo deles ainda existe. Até 1960, a praça da Matriz, que naquela época era chamada Largo da Matriz, era cercada por arame farpado e estava sob os cuidados da igreja católica. Em 1916, o prefeito Estevan Dantas retirou a cerca, instalou bancos, canteiros e o coreto, que lá permaneceu até a década de 1960, quando o então prefeito Abílio Elias Daniel reformou a praça e construiu um novo coreto. Durante o período em que permaneceu no centro da cidade, foi utilizado para apresentações musicais e comícios, sendo o ponto central da vida social e política capão-bonitense por cinco décadas. Ainda estão presentes na memória da população as bandas locais mais conhecidas e seus integrantes, como a Banda 2 de Abril, a Orquestra Ideal, a 7 de Setembro, o maestro João Sales, Vittaliano Bianchi e Edmundo Cacciacarro, de quem falaremos mais à frente.
Predominantes no início do século XX a arquitetura de ferro dos coretos era feita de ferro forjado, o que permitia sua reprodução em escala, e suas peças podiam ser compradas separadamente em catálogos e montadas no local desejado. Muitos eram importados, mas alguns foram produzidos no país. Por ter sido transferido de um local a outro, pode ser que o coreto da Praça Edmundo Cacciacarro seja um desses exemplares.
O coreto da praça Edmundo Cacciacarro possui formato hexagonal e base de alvenaria em dois níveis, diferente do original, que era mais largo e alto. A estrutura atual tem escada com corrimãos de ferro branco, guarda-corpo com desenho orgânico e pilares que sustentam uma cobertura metálica azul com curvatura elegante. Elementos como o beiral marrom e o ornamento em forma de harpa no topo não pertencem ao projeto original. As principais alterações em relação ao coreto original são a base e o topo, encimado por uma lira.
Se você tem fotografias, documentos ou histórias sobre o coreto, envie para mim por email: veronica.volpato@gmail.com ou instagram: @veronicavolp . Fotos e texto: Verônica Volpato.









