O Brasil não passava por uma onda de frio tão severa desde 2013, segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).
O país vem registrando nos últimos dias temperaturas abaixo de zero na região sul, friagem na Amazônia e quedas atípicas nos termômetros até em regiões historicamente quentes, como Nordeste e Centro-Oeste.
Segundo o instituto, o inverno deste ano chegou com força porque o país não sofre, no momento, a influência do El Niño.
O fenômeno, que se configura pelo aquecimento anormal das águas do oceano pacífico, inibiu a entrada de frentes frias e de massas de ar polar no país na maior parte desses últimos quatro anos.
Para o instituto, o El Niño influenciou as condições do tempo com mais intensidade entre novembro de 2014 e abril de 2016.
De acordo com Ingrid Peixoto, meteorologista do Inmet, o país viveu sob o El Niño recordes de temperaturas elevadas e muita seca.
“Agora, é como se o Brasil estivesse vivendo um inverno com cara de inverno sem nenhum bloqueio, o que deixa a estação mais definida”, explica a meteo-rologista.
Frio intenso na
região Sudoeste
Na última terça-feira, dia 18, baixas temperaturas foram registradas em várias cidades da região Sudoeste segundo dados levantados junto ao CIIAGRO (Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas).
Algumas cidades da região que registraram baixas temperaturas foram: Capão Bonito (6°C), Itapetininga (8,9°C), Guapiara (5°C), Ribeirão Grande (7°C) e Apiaí (4° C) que teve a temperatura mais baixa do Estado.
Na última terça-feira, em plena luz do dia foi difícil encontrar em Capão Bonito pessoas dispostas a enfrentar o frio intenso nas ruas da cidade, pois a sensação térmica com o vento era de apenas 4º C.
Em cidades como Guapiara e Apiaí, que têm grandes áreas de divisa, a sensação térmica em alguns bairros rurais chegou a 0º C.
“Nossa região é tradicionalmente uma das mais frias do Estado e quando acontecem frentes frias, como a desta semana, ficamos preocupados principalmente com pessoas carentes e idosos”, salientou um morador de Guapiara ouvido pelo O Expresso.
O frio foi tão intenso que produtores rurais chegaram a temer a ‘geada negra’, fenômeno climático mais devastador que a geada tradicional, onde as forças do vento polar chegam a queimar plantas.
A região foi afetada pelo fenômeno em 1975 quando em plena tarde várias cidades da região tiveram geada.
Apesar da queda de temperatura ainda não houve prejuízo às atividades agrícolas, mas com a tendência de manutenção de temperaturas em queda nas próximas semanas, produtores estão tomando medidas de precaução.
Operação especial
para atender
moradores de rua
Diante da onda de frio intensa, a Prefeitura de Capão Bonito, através das Secretarias de Assistência e Desenvolvimento Social, de Agropecuária, Obras e Meio Ambiente e do Fundo Social de Solidariedade promoveram o acolhimento de cinco pessoas desabrigadas na noite de terça-feira.
A ação foi possível com o importante apoio do colégio Sacre Coeur, através da diretora Dinára Fernandes, que num gesto nobre de solidariedade abriu as portas da escola para acolher os desabrigados existentes na cidade.
A solidariedade foi ampliada também com o gesto de várias pessoas e também de comerciantes que contribuíram com doações para o atendimento aos abrigados no Colégio Sacre Coeur des Enfants.
“Queremos agradecer a todos pela ajuda, conseguimos colchões, cobertores e alimentação. E eles também já estão avisados que podem voltar em noites de frio intenso”, destacou o secretário Reinaldo Daniel Junior.
O secretário de Desenvolvimento Social Erivaldo Lauri Rodolfo também informou que o governo municipal já está estudando ações para tirar em definitivo as pessoas da situação de rua.
“Neste momento só resta agradecer a solidariedade e o bom coração de todos os capão-bonitenses. Se alguém tiver alguma doação, por favor, encaminhar ao Fundo Social de Solidariedade”, destacou Erivaldo Rodolfo.
O secretário lembrou que técnicos da sua pasta estão fazendo um atendimento a todos os moradores de rua que estão na cidade, para tentar recolocá-los na vida social e principalmente tentar ampará-los com apoio de suas respectivas famílias.
“A maioria destas pessoas não são de Capão Bonito e estamos entrando em contato com seus familiares para que eles retornem ao convívio de seus parentes. Tudo está sendo feito com a devida atenção”, disse o secretário Erivaldo Rodolfo.









