Em todos os anos, observamos nas redes sociais diversas fotos com mensagens carinhosas de filhos e filhas em comemoração ao Dia das Mães. Através dessas publicações, muitos têm a sensação de que a maternidade é um mar de rosas. No entanto, essa não é a realidade, ser mãe pode ser difícil tanto física quanto emocionalmente.
Segundo um levantamento com foco na saúde mental de mães brasileiras, o ‘De Mãe em Mãe’, cerca de 66% das mães classificam sua própria saúde mental como péssima, ruim ou regular, e 34% consideram boa ou ótima. A pesquisa foi realizada a partir de uma amostra com 872 participantes de todo o país.
Já em relação ao sentimento de sobrecarga com frequência de cinco a todos os dias no mês, foi relatado por 97% das entrevistadas, e o esgotamento de 94%. A porcentagem de mães que se sentem insatisfeitas em algum nível, foi de 91%, mesmo número relatado quando entrevistadas sobre sentir tristeza. Perguntadas sobre ter um comportamento explosivo e sentir culpa depois, o índice foi de 75%.
Para a psicóloga Maria Clara Rodolfo, a psicologia em suas mais diversas abordagens sempre enfatizou a importância da relação entre mãe e filho, assim como a cultura reforça quão lindo é esse amor e cuidado. “Sim, é mesmo, mas, sem romantismo. A vida de uma mãe é marcada de desafios, angústias, ansiedade, culpa e responsabilidade, é literalmente nunca mais estar só, mesmo que essa mãe, também sendo mulher, precise de um tempo para ser apenas, ela mesma”, explicou a especialista.
Segundo a profissional, comemorar o Dia das Mães é enfatizar o quanto esse papel é importante e único, mas sem deixarmos de refletir sobre o desgaste emocional que ele exige. “É sobre abrir mão de sua individualidade, liberdade, para viver o amor, cuidado e experiência da maternidade, é como abrir portas também para opiniões, conselhos, críticas e julgamentos, de outras pessoas e até de outras mães e mesmo sabendo que está fazendo o melhor possível, vem a insegurança ‘Será que nasci para ser mãe?’ E a resposta é sim, o filho nasce junto com o papel de mãe”.
Estar cansada, frustrada, necessitar de um tempo sozinha e longe dessa responsabilidade é um sentimento extremamente normal. “Porém, ainda é um tabu falar sobre isso, pois a insegurança de ser julgada pela sociedade faz com que a mãe sofra em silêncio, acabando com sua saúde mental pouco a pouco, por se exigir uma perfeição de mãe, utópica, que existe nas redes sociais de uma forma linda, mas na prática é desafiante”, ressaltou a psicóloga.
Mas o que fazer para mudar esse cenário? O desafio é grande, considerando que nem todas têm a possibilidade de contar com meios para facilitar a maternidade. “É importante deixar de buscar a maternidade ideal, focando na mãe real, com todas as inseguranças, angústias e ansiedades que a acompanham, é pensar também na saúde mental, respeitar os limites como mulher e priorizar também sua vida”, aconselha a profissional.









