O Bar do Dito, talvez o mais tradicional da cidade, também está de quarentena. Da década de 60 pra cá, passou por vários per-rengues da história.
Acompanhou o revezamento dos presidentes militares e o milagre econômico, o desastre inflacionário do Sarney, o confisco do Collor que paralisou a circulação de dinheiro e até um ex-fiscal da Prefeitura que exigiu a colocação de azulejos em suas paredes coloniais.
É triste passar por aquele cantinho da General Carneiro e ver as portas grandes, e de madeira, fechadas. Dito sobreviveu a tudo isso e não será agora que irá fraquejar. A preocupação se estende aos demais bares e botecos da cidade. Talvez, seja o ramo comercial com maior número de estabelecimentos do gênero em Capão Bonito.
Ainda observamos muito preconceito com relação a Bar, principalmente daqueles que não tiveram a oportunidade de sentir a sua magia. Cerveja e cachaça é apenas o pretexto para se acomodar diante do banquinho colado ao balcão.
Alguns estão tentando sobreviver com entregas e outras estratégias de vendas. Mas es-tamos diante de um grande dilema: como fazer delivery da emoção? Sentimento não se co-loca numa embalagem cheia de logomarcas insignificantes e pede para o motoboy entregar.
O Bar é estado de espírito. É o conforto para um pequeno problema.
É o parceiro da resenha, do papo político, do comentário musical, das paixões…
O Bar é isso e não conseguimos entregar em domicílio como hot dog.
Cenário de comerciais célebres como o do Baixinho da Kaiser, do Zeca Pagodinho chifrando a Brahma pela Nova Schin (Experimentaaa…) e dos Amigos Sertanejos cantando o jingle da Bavária, o Bar foi fundamental na construção deste estereótipo da cultura popular brasileira.
E agora, o Bar perdeu a sua função social? Ou serviu apenas para criar grandes marcas de cerveja?
Não, o Bar é imortal e sobreviverá perante esta crise, renascendo com sua essência ainda mais fortalecida.
Cadê os grandes gênios da publicidade no momento em que o Bar mais precisa desses talentos?
Algum está em Londres, outro curtindo as Lives e muitos preocupados com as contas que se vão com a pandemia.
Não se esquecem: vocês têm uma dívida com o Bar, que contribuiu para promovê-los no mercado publicitário.
Que tal criarem aquela peça genial para dar uma mãozinha aos bares brasileiros? Para os gênios da publicidade – um rótulo por méritos – é como se fosse dinheiro de pinga!
Francisco Lino é Jornalista









