A saúde financeira do governo federal, dos governos estaduais e das prefeituras de cada cidade deste país, é sempre uma preocupação para o brasileiro, isto porque a situação econômica das contas públicas afeta muitas outras coisas e, consequentemente, atingem o dia a dia do cidadão.
Dependendo da forma que um governo gere os gastos da máquina pública, corre-se o risco de comprometer todo o destino de determinada localidade por anos.
Na edição da semana passada deste semanário, foi divulgada uma matéria extensa mostrando a atual situação das dívidas do município de Capão Bonito com os famosos e populares precatórios judiciais.
Essas dívidas, em sua maioria, são fruto de ações trabalhistas e civis movidas por servidores, ex-servidores, cidadãos e empresas, que de alguma forma se sentiram prejudicados por decisões da municipalidade, dessas dívidas não cabem nenhum tipo de recurso e elas entram numa fila por ordem de antiguidade determinada pela Justiça e algumas preferências como idade do beneficiado ou em caso de doença.
A preocupação com a situação das dívidas de precatórios municipais surgiu com um questionamento feito por um vereador, que pediu informações detalhadas no ano de 2025 de como estava a situação da prefeitura nesse quesito.
Ao tomar conhecimento da resposta enviada pela prefeitura ao pedido do vereador, O Expresso pôde fazer uma avaliação criteriosa da situação das dívidas judiciais do município. E o que se descobriu é que as dívidas judiciais do município estão num patamar nunca visto na história recente da municipalidade, chegando muito perto de 20 milhões de reais.
Pela própria informação oficial da prefeitura de Capão Bonito se constatou que nos últimos 8 anos os valores anuais pagos em precatórios são praticamente os mesmos. Entre 2017 a 2020, a prefeitura de Capão Bonito pagou quase 11 milhões de reais destas dívidas judiciais, mas com um orçamento anual que não chegava a 150 milhões de reais, já entre 2022 a 2025 esses valores são praticamente iguais, cerca de 12 milhões de reais também num período de 4 anos, mas com um orçamento perto de 300 milhões de reais anuais.
O que ficou evidente pela própria informação oficial do Executivo, é que durante os últimos 5 anos não houve uma vontade política mais efetiva para diminuir os débitos judiciais do município, preferiu-se investir em festas, praças e não se preocupou com as milhares de pessoas que estão esperando receber há anos.
Pagar dívidas realmente não dá votos, mas trata-se de uma responsabilidade ética de um gestor comprometido com as boas práticas da administração pública e faz também com que a cidade ganhe mais respeito perante os setores da economia e com os demais poderes, pois mostra que o município está sendo gerido com critérios técnicos.
Infelizmente, tem gestor que ainda prefere fazer festas, shows, obras faraônicas e encher a prefeitura de funcionários, pois isto dá visibilidade e voto, não se importando se vai comprometer o futuro do município.









