Parte do Centro de Assistência Social Padre Henrique irá a leilão no próximo dia 27

Uma parte do Centro de Assistência Social, fundado pelo falecido padre Henrique Helsloot e situado na Vila Bela Vista, em Capão Bonito, irá a leilão judicial às 12h30 da próxima quarta-feira, dia 27 de maio. O leilão incluiu apenas uma parcela de toda a área do CAS, que tem mais de 80 mil m², mas afetará parte do salão de eventos e refeitório, uma parte da entrada e onde funcionava antigamente a confecção idealizada no passado pelo padre.

Ao todo serão 379,85 m² de área construída, excluindo-se uma usina de energia que fica no telhado da construção e 1.489,27 m² de terreno, que tem início na avenida Santos Dumont e na rua Minas Gerais.

O valor inicial do lote onde constam as duas matrículas registradas no cartório de registro de imóveis de Capão Bonito a ser leiloado, está estipulado em R$ 3.030.000,00 e o lance mínimo é de R$ 1.818.000,00.

O leilão está sendo motivado por dívidas trabalhistas contraídas pelo Centro de Assistência Social, que a partir de 2012 fazia a gestão de parte da saúde do município, sendo responsável pela contratação de servidores que prestavam serviço para a Secretaria Municipal de Saúde de Capão Bonito, como médicos, enfermeiros, técnicos e muitos outros profissionais que atuavam na rede municipal de saúde, mas que eram contratados pela entidade. Em princípio, a prefeitura pagava as ações, mas com o tempo a Justiça do Trabalho excluiu o município da responsabilidade de pagar estes débitos e isto acabou gerando uma bola de neve financeira que praticamente asfixiou as finanças do CAS.

Desde o início das ações, a defesa do Centro Social informava que por ser uma organização social sem fins lucrativos não poderia cumprir com muitas exigências solicitadas pelos trabalhadores comuns a empresas privadas. As ações se avolumaram a partir de 2016 e não houve como quitar as dívidas, já que as rendas do Centro são oriundas de convênios firmados para atender centenas de crianças e adolescentes que participam dos programas idealizados há muitos anos pelo padre Henrique, que tinha uma atenção especial para as famílias carentes e para a formação de crianças e jovens.

Familiares do padre Henrique na Holanda já estão cientes das dívidas há tempo e são sempre informados sobre os desdobramentos, como o leilão. Um dos sobrinhos do padre, chamado Harry Helsloot, até gravou um vídeo esta semana falando do momento difícil pelo qual passa o projeto, mas mantendo a esperança de que essas dívidas serão solucionadas e o CAS poderá continuar o trabalho iniciado pelo padre há décadas.

A prestação de serviço de gerenciamento de mão de obra para a área da saúde de Capão Bonito, que teve início em 2012, tinha como intenção de auferir mais uma renda para os projetos feitos pelo CAS, mas ao final se transformou num grande problema que diretoria e comunidade esperam que seja solucionado, não só para manter os trabalhos sociais que são realizados no Centro, mas para preservar a imagem e o trabalho iniciado por um religioso muito querido e admirado por todos os cidadãos de Capão Bonito.

A reportagem de O Expresso fez questionamentos à prefeitura de Capão Bonito sobre o caso, mas até o fechamento desta edição não obteve resposta.

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