O prefeito Marco Citadini, PTB, e o vereador Matheus Francatto, PR, visitaram na semana passada uma das melhores e maiores granjas de suínos do Brasil – a Ianni Agropecuária, sediada na cidade de Itu, e considerada referência em produção.
Também acompanharam a visita, técnicas da equipe da Cozinha Central e o veterinário Alberto de Carvalho Neto.
Graças a lei criada pelos vereadores Matheus Francatto, Carlos Chaves, Nino Nunes, Márcio Proença e Neto da Farmácia, para inclusão da carne suína na merenda escolar, Capão Bonito poderá ser beneficiada com novos investimentos no setor e, com isso, gerar mais emprego e renda na cidade.
O objetivo da visita também foi colher informações importantes sobre a qualidade nutricional da carne suína e garantia de que a suinocultura paulista possa fornecer um produto de qualidade para as cidades que optarem por ter a carne suína na merenda escolar.
“Com a visita, nossos técnicos puderam ter contato com uma propriedade que detém o selo paulista de qualidade na criação de suínos. Este selo exige um padrão de procedimentos que dá ao consumidor uma garantia de que o produto é de ótima qualidade. A visita também serviu para dar maior tranquilidade para o município que agora tem uma lei que determina o uso de carne suína na merenda escolar”, afirmou Citadini.
Os técnicos da prefeitura saíram impressionados com o cuidado que os animais recebem desde o processo de gestação e criação até o ponto de abate na granja.
Tudo é feito com padrões técnicos, usando o que há de mais moderno em tecnologia que vai desde coleta de embriões, fecundação artificial, fornecimento de rações específicas para cada fase de crescimento e controle de temperatura em cada setor da granja e limpeza de todo o local, inclusive com obrigatoriedade de banho para visitantes e funcionários antes de adentrar o setor de maternidade da granja.
Suinocultura de
Primeiro Mundo
“Porco não. Suíno, faça o favor. O gado suíno paulista criado atualmente está muito longe daqueles animais que chafurdavam na lama em propriedades rurais até a década de 70”, afirma Antonio Ianni.
O comportamento do animal cunhou um sentido figurado para sua denominação, que passou a caracterizar os indivíduos afeitos à imundície.
Nos dias atuais isto ficou para a história, os chiqueiros onde os bichos tão indispensáveis para a culinária da época no século passado eram alimentados com lavagem, sem a menor preocupação com as exigências sanitárias deram lugar a instalações modernas onde a limpeza impera.
O suinocultor Antonio Ianni pertence a uma família que atua no segmento há três gerações.
Seu avô, Andrea Ianni, veio da Itália para Itu nos primeiros anos do século 20 e montou na cidade uma triparia, onde manipulava vísceras bovinas compradas brutas no matadouro municipal local. Depois as vendia pelas ruas com um carrinho tracionado por cavalo.
Andrea faleceu, em Itu, aos 44 anos em pleno trabalho de comercialização ambulante.
Em 1948,o filho Silvio adquiriu uma área de 20 alqueires do Sítio Alegre. Antonio, ainda jovem, trabalhava com o pai na criação de suínos.
Com investimentos e a adoção de tecnologia de ponta, sua produção cresceu muito.
Hoje emprega mais de cem pessoas e produz 28 mil suínos/ano, ou seja, 2.280 toneladas de carne por ano.
Ianni tem propriedade rural no bairro Apiaí Mirim em Capão Bonito onde cria bovinos e cultiva eucalipto e foi convidado pelo prefeito a montar um empreendimento da suinocultura no local.
Mercado
A demanda paulista é de 200 mil toneladas/ano. Os produtores paulistas respondem por apenas 35% do abastecimento desse mercado. O Estado de São Paulo importa carne de outros Estados, especialmente a processada por agroindústrias da região Sul.
O grande poder econômico desses grupos dificulta muito a sobrevivência dos suinocultores paulistas. “Quanto menor o produtor, mais rápido ele é massacrado pela agroindústria”, avalia Antonio Ianni.
A agroindústria, em razão dos grandes volumes que movimenta, tem maior poder de negociação na compra de insumos da produção de suínos, como o milho, por exemplo. Pelas quantidades que compra, pode importar os grãos em contêineres fechados, se o preço estiver melhor no exterior. Essa estratégia lhes dá mais competitividade.
O mesmo não ocorre com produtores menores, que são obrigados a adquirir milho e outros insumos no mercado interno, independente do preço.
O grande problema, segundo Ianni, é que as redes de hipermercados optam por oferecer a seus clientes produtos com preços melhores, sem considerar a qualidade.
Nesse caso, a carne fresca, que é a especialidade dos paulistas, perde terreno.









