A Prefeitura de Capão Bonito anunciou nesta última terça-feira, dia 10, o fechamento do comércio essencial na cidade. Segundo o novo decreto do prefeito Julio Fernando, o “lockdown” começa amanhã, dia 11, e vai, nesse primeiro momento, até dia 16 março.
O novo decreto restringe o funcionamento de quase todas as atividades comerciais na cidade, inclusive daquelas que são consideradas essenciais como supermercados, farmácias, bancos, lotéricas, inclusive, é a primeira vez que esses estabelecimentos deixam de funcionar desde o início do combate à Pandemia no município, em março de 2020.
A medida coloca a cidade num patamar mais restritivo do que o Governo de São Paulo estipulou para todo o Estado, que é a Fase Vermelha do Plano SP.
Segundo a Prefeitura, a iniciativa visa diminuir a circulação de pessoas e consequente transmissão do vírus num momento em que os leitos de UTI e de Enfermaria Covid da Santa Casa local chegaram a 100% de ocupação.
Comerciantes se revoltam
A iniciativa foi criticada pelos comerciantes que atuam nos segmentos afetados pelo “lockdown”, pois, segundo eles, não há nenhuma evidência real de que o “foco das transmissões” esteja nos comércios fechados.
A medida ocasionou ainda aglomerações desnecessárias com a corrida dos consumidores em supermercados, que com receio de que faltem alimentos essenciais na casa, foram às compras do início do “lockdown”.
Medida isolada
Profissionais da Saúde que atuam desde o início do enfrentamento à Covid-19 em Capão Bonito contestaram a medida, pois entendem que o “lockdown” deveria ser definido pelo Governo Estadual para evitar o que ocorreu nesta quarta-feira, dia 10, onde muitos consumidores locais estiveram em outras cidades da região fazendo compras e até mesmo, realizando viagens de lazer.
“Decretar lockdown sem que haja a mesma medida nas cidades vizinhas vai estimular que muitas pessoas viagem. Seria como decretar um feriado em Capão Bonito”, disse a fonte d’O Expresso.
Festas clandestinas e viagens
Profissionais da Saúde e comerciantes também criticam a falta de efetividade nas ações de combate à Pandemia da Prefeitura. Há um grande número de contágio relacionado às festas particulares e viagens consideradas desnecessárias nesse momento crítico da Covid-19 no município. “Estão ocorrendo muitas festinhas por aí, e não se vê preocupação da Prefeitura. E as pessoas que estão indo viajar, a Prefeitura está monitorando? está tudo na rede social para quem quiser ver”, disse um comerciante.
Em entrevista à Radio Panema na manhã desta quarta-feira, dia 10, o prefeito Julio Fernando (PODE) e o vice-prefeito Roberto Tamura (PSDB), que atua também como secretário da Saúde, criticaram as festas particulares, porém, não apresentaram medidas para cessar esse tipo de atividade, inclusive, em pleno pico da Pandemia em 2020, Julio Fernando foi flagrado participando de um churrasco em uma oficina mecânica, jogando baralho, tomando cerveja e sem máscara. “É o famoso faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço”, disse um internauta.
Roberto Tamura também foi flagrado em 2020 em uma festa particular numa chácara em Ribeirão Grande.
Atendimento nas Sentinelas
O atendimento nas Unidades Sentinelas também tem sido alvo de reclamações dos pacientes de Capão Bonito. Conforme reclamação de um internauta enviada à reportagem d’O Expresso, atendentes da Sentinela estão sendo orientados pela gestão da Saúde Municipal a realizar testes em quem somente apresenta sintomas. “Meu vizinho disse que estava sem sintoma, mas precisava fazer o teste porque teve contato com uma pessoa com a Covid-19. Não fizeram o teste e dois dias depois precisou quase que ser internado na Santa Casa”, reclamou.









