Triste realidade

Na semana passada este jornal noticiou um fato ocorrido na Câmara de Capão Bonito, na sessão do dia 09 de junho, em que o vereador situacionista e considerado defensor mor do chefe do Executivo na Casa de Leis, Fio Londrina, fez uma declaração que se tivéssemos um Legislativo mais preocupado com as boas práticas da política, teria se transformado numa Comissão Parlamentar de Inquérito.

Na discussão de um projeto de lei que visava a melhoria no Programa Frente de Trabalho, o vereador acusou todos os colegas da legislatura passada de terem sido beneficiados com a distribuição de cestas básicas, sendo estas entregues pela Secretaria de Desenvolvimento Social, na época ocupada pelo secretário Romano Oliveira, citado textualmente por Londrina.

O vereador chegou a ser taxativo e desafiou qualquer político do mandato passado a tentar desmentir sua afirmação de que na gestão passada todos os membros do Legislativo tiveram acesso a cestas básicas para distribuição.

Por essa declaração, se confirma que, pelo menos parte dos nobres edis locais, ainda não entenderam qual a função de um vereador, que basicamente é fazer leis e fiscalizar atos do Executivo, mas parece que os nossos legisladores insistem em tentar fazer as vezes do Executivo, fazendo pedidos e tentando favorecer seus eleitores com serviços públicos que deveriam acontecer respeitando um cronograma profissional.

O vereador situacionista de Capão Bonito, conhecido por suas declarações polêmicas, expõe que as relações entre os poderes Legislativo e Executivo na cidade não são das mais republicanas e literalmente afirmou que se praticava e certamente ainda se pratica, com pelo menos uma parte da Casa de Leis, o “toma lá, dá cá”, quando o Executivo concede benefícios em troca de acobertamento pela maioria dos vereadores de fatos que deveriam ser investigados se tivéssemos uma Câmara cumprindo as suas funções.

As declarações do vereador mais uma vez expõem o grau de degradação que vivenciamos num dos poderes mais importantes do nosso sistema de governo, quando deveríamos ver um Legislativo cumprindo suas obrigações, tivemos um edil se declarando como réu confesso e envolvendo todos os demais colegas numa prática irregular.

Enquanto vereadores recebem cestas básicas e com isso se calam, vemos pelos quatro cantos da cidade obras como a da escola do centro, que já consumiu mais de 4 milhões dos cofres públicos e está paralisada há mais de ano e uma reforma de uma escola que custou 4 milhões para ser construída consumindo 12 milhões dos cofres públicos.

Essa é a nossa triste realidade!

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