O ritmo da vida contemporânea pode implicar em ausência de percepção do que ela nos impõe. Nem sempre sentimos que a cobrança incidente sobre cada individualidade anestesia a consciência. Engatamos uma primeira e vamos em frente, procurando atender à crescente requisição destes tempos.
Há quem sustente que isso decorre do fenômeno globalização. Não é algo novo, embora irreversível.
O novo é a velocidade, que os fenícios, precursores da globalização, desconheceram.
Costuma-se examinar a mundialização sob enfoque econômico.
Porém, suas consequências psico socioculturais.
Aceleram-se as diluições de limites, que se minimizam, com nítida redução do autocontrole.
A velocidade é abrangente. Atinge e implica em mutação generalizada. As metamorfoses em todos os aspectos da vida humana estão num ritmo que dificulta, senão inibe a absorção e acomodação decorrentes da modificação dos valores.
A disponibilidade dos instrumentos de comunicação impinge nova consciência aos humanos, queiram ou não. Induz a transforma-la, praticamente em tempo real, injetando outros conceitos, trazendo dúvidas, reavaliando conceitos.
O avanço indomável das tecnologias não se restringe ao computador. Está na publicidade, nas embalagens, na televisão, no celular, em todas as bugigangas eletrônicas que inundam o planeta.
O Brasil é uma evidência disso: são quase 270 milhões de mobiles para uma população de cerca de 210 milhões de habitantes.
As conquistas tecnológicas obrigam as pessoas a participar.
Até aquele que resistia, prometendo não se aproximar do mundo virtual, viu-se obrigado a encarar essa forma ampla de participação, que trouxe um aspecto instigante.
Não há como dizer que não recebeu o e-mail, ou que não vi o whatsApp.
O controle é muito preciso e confiável.
A esperança era a de que essa revolução profunda viesse a aproximar as pessoas, tornando-as mais solidárias e mais próximas.
Não é o que se vê, ao menos como regra. A volúpia da tela e de um teclado que poupa o usuário, às vezes faz com que ele consiga infligir um castigo à polidez, à cordialidade, à boa educação de berço.
Esse o desafio que o tsunami digital suscita às pessoas de bem e sensíveis à depauperação dos costumes.
Velocidade é inevitável e salutar, desde que não comprometa valores que, incrustrados na alma das criaturas, confere dignidade e qualidade de vida aos peregrinos desta caminhada pela sofrida Terra.
José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNI-NOVE, advogado e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS.









