Venda comprovada

Na edição da semana passada deste semanário foi divulgada ampla matéria sobre a CPI da Câmara local, que investiga possível não pagamento de imposto sobre transferência de imóveis por parte de reflorestadoras que atuam no município.
Pela documentação que a CPI e a Comissão de acompanhamento da prefeitura tiveram acesso está comprovada que houve aquisição de milhares de alqueires de terras no ano de 2015 pela Fibria, de áreas que pertenciam ao Grupo Votorantim.
Embora um contrato de compra e venda não obrigue o recolhimento do ITBI que é reivindicado pela prefeitura, fica comprovado que aconteceu a compra das fazendas que pertenceram por décadas às empresas da família Ermírio de Moraes pela Fibria e que atualmente parece ter sido incorporada pela Suzano Celulose.
Para corroborar esta informação foi apresentado um contrato de compra e venda entre o Grupo Votorantim e a Fibria que a própria reflorestadora usou como documentação em ação na Justiça local de reintegração de posse contra pescadores locais, portanto, a própria empresa trouxe a público uma prova que pode ser usada contra ela.
O que deve ser enaltecido é a coragem que pelo menos parte da classe política local está tendo de enfrentar esta gigante da celulose para defender os interesses do município.
Uma empresa que detém quase um quarto do 5º maior município em extensão territorial do Estado não pode agir como se sua atividade não comprometesse economicamente e socialmente a vida desta comunidade.
Há décadas que as empresas detentoras destes milhares de alqueires têm dificultado o desenvolvimento capão-bonitense, hora pela atividade ligada a carvoaria, hora por celulose.
Toda propriedade, principalmente sendo ela um latifúndio gigante, tem obrigatoriamente que ter uma função social. Não é admissível que um município que tem a economia baseada na agricultura tenha seu desenvolvimento sufocado somente pelo interesse de uma única empresa que gera riqueza fora de seu território.
Já passava da hora de Ca-pão Bonito agir contra essa empresa, pois milhares de famílias locais perderam a oportunidade de crescer e prosperar em solo gameleiro.
Que esta disputa pelo menos deixe claro que é necessário que os reais proprietários dos milhares de alqueires que hoje servem a Suzano Celulose em Capão Bonito façam uma compensação pelo prejuízo que causam ao município e, consequentemente, aos seus moradores, pois não é possível mais a cidade pagar um preço tão alto para encher os bolsos de alguns milionários.

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