Voz solitária

Na semana passada este jornal divulgou fatos acontecidos na Câmara Municipal de Capão Bonito neste mês de março.

Um dos fatos marcantes foi a informação de uma visita feita pelo vereador Daan Cabeleireiro, do MDB, e único edil que faz questão de ser fiscalizador, a uma das obras públicas mais polêmicas do município, que é a reforma da escola municipal Sumie Baldissera, situada na Vila Nova Capão Bonito, obra esta que começou no ano de 2022 e ainda não tem prazo final para sua conclusão.

O vereador fez questão de explicar para seus colegas de Legislativo o que reivindicava e elencou questões como saber os valores totais que serão gastos com a reforma, o prazo efetivo em que a obra será entregue, onde estão localizadas as portas, janelas e mais de 3 mil metros de telhas que foram retiradas da escola e ainda não se sabe onde se encontram, além de vários outros questionamentos quanto aos processos licitatórios da referida obra.

O edil da oposição no Legislativo capão-bonitense deixou claro para seus colegas de Câmara que uma das grandes atribuições dos membros da Casa de Leis é exatamente fiscalizar os atos do Executivo e que isto deveria ser uma prática comum entre os vereadores.

E neste quesito o vereador Daan tem dado uma aula comportamental para os demais vereadores, que infelizmente se mostram omissos, com muitas coisas que acontecem em solo gameleiro. Não é à toa que a população da cidade tem no vereador do MDB como seu único representante de demandas na Casa de Leis.

Muito se fala em nosso país na independência entre os três poderes existentes, Executivo, Legislativo e Judiciário, e que precisam coexistir em harmonia, mas precisam ter a liberdade de não serem influenciados para que possam exercer suas funções dignamente.

É muito comum em cidades brasileiras, que o Poder Legislativo seja cooptado pelo Executivo, com favores políticos, indicações de parentes e aliados, realização de obras e serviços e o mais grave que são os famosos mensalinhos.

Quando uma Câmara perde sua independência por qualquer forma de cooptação das acimas citadas, o grande perdedor é o povo, que é quem perde um fiscal que deveria ficar de olho em tudo o que acontece na cidade.

Felizmente em Capão Bonito ainda há uma voz solitária, em muitas oportunidades isso é pouco, mas poderia ser pior, pois em muitos municípios do país o Legislativo é um mero apêndice do Executivo. No nosso caso ainda há uma única voz, mas que felizmente fala alto.

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