Na semana passada um requerimento de autoria do vereador Fio Londrina, do DEM de Capão Bonito, agitou a sessão do Legislativo local.
O político pediu para que o Poder Executivo tomasse providências e estudasse a possibilidade de desapropriar uma área de mais de 2 alqueires que pertence a empresa Marquesa e está situada na vila Bela Vista, mas se encontra em situação de abandono.
O pedido acabou gerando grande discussão entre os vereadores, principalmente quando estes receberam a informação de que a área foi doada pela própria prefeitura na década de 70 para que fosse instalada uma indústria madeireira.
A informação de que o terreno que ocupa vários quarteirões da vila Bela Vista tinha sido doado pela própria municipalidade trouxe à tona também questionamentos sobre várias áreas que foram cedidas ao longo dos anos pelas várias administrações que comandaram o Executivo nas últimas décadas, principalmente no Distrito Industrial I e no Distrito Comercial.
Imediatamente o atual governo municipal que está fazendo a implantação do novo Distrito Industrial II, que está sob jurisdição da Secretaria de Governo comandada pelo engenheiro Marcelo Varela, apresentou várias ações de retomadas de áreas no Distrito I que já estão redundando na geração de novos empregos.
Segundo o secretário de Governo, no passado foram feitas várias doações sem o mesmo critério que está sendo usado atualmente onde todas as solicitações de doação de área passam por uma comissão que avalia tudo, mas com ênfase para geração de emprego.
“No passado foram doadas áreas por questões políticas e de amizade e não foi levado em conta o verdadeiro intuito de estimular a geração de emprego”, disse Varela.
De acordo com o secretário de Governo, existem exemplos gritantes de doações sem finalidade de geração de emprego e para piorar alguns casos não existe possibilidade de a prefeitura retomar as áreas, pois as doações foram feitas sem os devidos condicionantes.
Alguns exemplos citados chamam a atenção de forma gritante, como a doação de uma área de 6 mil metros que é ocupada por uma torre de rádio no Distrito Comercial, ou mesmo área considerada nobre no Distrito Industrial I, de 5 mil metros, que já estava fechada de alambrado e foi cedida para uma empresa de um parente de ex-vereador que não gera emprego.
Outro fato que chamou a atenção foi a existência de uma área também no Distrito I que era ocupada por uma chácara que tinha inclusive um galinheiro.
“Retomamos várias áreas que tinha esta possibilidade legal no Distrito I e vamos tentar ampliar isto. Três das áreas retomadas foram doadas novamente e um empresário local já está em fase final de instalação de uma fábrica de batata palha. O que antes era um local onde tinha lixo, entulho e um galinheiro, vai se transformar numa nova fábrica”, disse o secretário de Governo.
Para o prefeito Marco Citadini, o questionamento feito pelo vereador Fio Londrina vem num momento importante, pois traz à tona os erros cometidos no passado com relação as doações de áreas e mostra que a atual administração está evitando cometer os mesmos erros.
O prefeito lembrou que a atual gestão retomou 7 áreas no Distrito I e no Distrito Comercial, sendo que três delas foram destinadas para a nova fábrica de batata palha e uma foi destinada para uma fábrica de embalagens e sacos de lixos e outra para transformação de materiais recicláveis.
Ainda segundo o prefeito, existem duas ações na Justiça para retomada de duas áreas que no entender da prefeitura estão ocupadas sem gerar empregos, mas existem também áreas em que a retomada é considerada impossível, pois a doação não exigiu nenhum condicionante por parte da empresa beneficiada.
O prefeito ainda determinou ao secretário de Governo que seja feito um acompanhamento permanente sobre as áreas doadas no passado e instruiu que antes de ser iniciado processo de retomada de área seja dada oportunidade para que o detentor da doação possa viabilizar a geração de empregos.
“Nós estamos apoiando empresários locais e de outras cidades que queiram investir aqui, mas é preciso que entendam que os benefícios que damos precisam gerar empregos aos capão-bonitenses”, disse o prefeito.









