Aproveitando a sua presença no III Fórum de Desenvolvimento Regional na Fatec de Capão Bonito no último dia 14, o deputado estadual pelo PSL Frederico D’Ávila que tem atuação em cidades da região, principalmente em Buri e em Capão Bonito, fez uma proposta que agitou o meio acadêmico e pode criar um grande debate na cidade.
D’Ávila sugeriu que seja criada uma lei pela Câmara da cidade que estipule um raio de proteção partindo da sede do município para diminuir a presença do reflorestamento, principalmente do eucalipto no município de Capão Bonito.
Pela proposta do deputado do PSL, seria desativado paulatinamente o plantio de eucalipto numa distância de 18 quilômetros da sede da cidade. Estas terras não deveriam ser desapropriadas, mas com os proprietários destes latifúndios podendo arrendar ou vender a preço de mercado estas áreas de grande fertilidade que passariam a ser utilizadas para produção agrícola.
Para Frederico D’Ávila com a criação da área de proteção e sua destinação para plantio de culturas como soja, trigo, milho e feijão haveria uma geração de emprego muito maior e uma geração de renda muito superior ao que ocorre atualmente devido a asfixia que a agricultura local sofre com a presença de grandes empresas reflorestadoras.
“Se essa imensa área do município de Capão Bonito fosse destinada a produção agrícola, que é a vocação local, teríamos uma cidade com um comércio muito mais forte e com muito mais empregos”, disse D’Ávila.
O deputado conclamou o prefeito Marco Citadini, que estava no evento, a mandar ao Legislativo local uma lei criando o cinturão excludente do eucalipto.
O prefeito disse que acompanha o mesmo raciocínio do deputado e que conta com o apoio de D’Ávila para preparação da lei e também para os possíveis desdobramentos que sua aprovação implicaria.
“A proposta do deputado Frederico D’Ávila me agrada, mas preciso do seu apoio político e também técnico para que a lei seja montada e aprovada. É importante saber qual casa parlamentar, se a Câmara local ou a Assembleia Legislativa do Estado, é quem deve criar esta lei”, disse o prefeito.
Para Citadini, a proposta do deputado estadual trará para discussão um tema importante e pelo menos fará com que o Governo do Estado defina sua posição quanto a questão do reflorestamento em toda a região, lembrando a existência da Lei Estadual 2090 do ano de 1979 que impede a instalação de indústria de celulose na Bacia do Rio Paranapanema.
“Como nossa região pode se desenvolver se aquilo que é nossa maior produção, no caso madeira para fabricação de celulose, não pode ser industrializada nas nossas cidades. Se não podemos industrializar então deveríamos dedicar nossas boas terras para outras culturas”, declarou o prefeito.
Lei afetaria
Suzano Celulose
Se a proposta de lei vingar deverá afetar duramente a produção de eucaliptos da empresa Suzano Celulose que recentemente incorporou a Fibria Celulose.
A produção de eucaliptos da empresa ocupa milhares de alqueires das terras mais produtivas do município e com a produção sendo enviada para a fábrica da empresa no município de Jacareí situada no Vale do Paraíba. As áreas ocupadas pelo reflorestamento em Capão Bonito são há muito tempo cobiçadas pelos agricultores locais que são responsáveis pela geração de muito mais empregos e renda no município mesmo ocupando uma área muito menor do que atualmente é ocupada pela Suzano.
A proposta promete agitar o meio político e empresarial de Capão Bonito que há muitos anos reclama da presença exagerada do reflorestamento no município, que para muitos afeta negativamente o desenvolvimento local.










