Janeiro Branco: um novo ciclo de cuidado mental

Ao iniciarmos um novo ano, surge a ideia de que nossas vidas podem ser diferentes, com novas expectativas e objetivos. Com isso, o otimismo se torna uma poderosa fonte de energia para começarmos esse ciclo. Nesse contexto, a escolha do nome Janeiro Branco nos remete à imagem de uma folha em branco, que nos convida a reescrevermos nossas histórias e, especialmente, a priorizarmos a saúde mental.

De acordo com o criador da campanha, o psicólogo mineiro Leonardo Abraho, o mês é um convite para que cada um reflita sobre suas emoções e relacione-se melhor consigo mesmo. Inspirada por movimentos como o Outubro Rosa e o Novembro Azul, a campanha nacional criada em 2014, é dedicada a promoção da saúde mental e emocional.

Segundo a psicóloga Thamires Costa, neste mês os profissionais da saúde mental buscam lembrar as pessoas que a verdadeira mudança só pode começar por dentro. “Atualmente, esse contato com o mundo interior tem se tornado mais difícil, devido às inúmeras distrações que nos roubam todos os dias. Com a tecnologia se tornando o centro de nossas vidas, telas em que dedicamos horas e horas das nossas atenções, um escape para nossas dores e traumas, é tudo o que sempre buscamos. O fato é que, qualquer forma de anestesia é mais atraente do que o despertar do autoconhecimento”.

Dados recentes apontam que o Brasil é líder no ranking mundial de transtornos de ansiedade, com 9,3% da população afetada, o que equivale a cerca de 18 milhões de brasileiros, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão também é uma preocupação crescente, agravada pelo impacto da pandemia de COVID-19, que levou a um aumento de 25% nos casos de transtornos mentais no país.

Para a psicóloga, enquanto o indivíduo não se torna consciente, aquilo se torna inconsciente; ele seguirá repetindo padrões de relação e de sofrimento em suas vidas. “Seguir anestesiado ou distraído é seguir inconsciente, não tomando para si a caneta com a qual escreve a própria vida. É sabido que olhar para dentro pode doer, e que evitamos e temos medo, mas quero reafirmar o que assisto na clínica todos os dias: nossos monstros não são maiores do que a nossa capacidade humana para o crescimento. A dor é pedagógica e se nos colocarmos como alunos, temos muito a ganhar”.
Mudanças de comportamento, como isolamento ou alterações no sono, são indicativos de que algo não está bem. Por isso, buscar ajuda especializada pode ser o primeiro passo para uma vida mais equilibrada. “Que essa centelha de esperança que nos invade à zero hora, não se torne apenas uma ilusão passageira, mas a certeza de que dentro de nós temos o potencial necessário para transformar as nossas vidas, começando pelo cuidado com a nossa mente, ainda que não enxerguemos esse potencial no momento. Afinal, não é isso que chamamos de fé? Por um 2025 de fé, em nós mesmos”, finaliza a especialista.

 

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