Lipedema: quando a gordura corporal não é apenas obesidade

O lipedema é uma doença vascular crônica que acarreta no aumento desproporcional de gordura no corpo, provocando dor na região afetada. Apesar de suas causas ainda serem desconhecidas, os especialistas acreditam que a doença seja genética e hereditária. De acordo com a Secretaria de Saúde, os sintomas aparecem após grandes mudanças no nível dos hormônios femininos, razão pela qual a doença atinge principalmente mulheres. As alterações podem ocorrer durante a puberdade, gravidez, terapias de reposição hormonal ou na menopausa.
Há os que confundem o lipedema com a obesidade, entretanto, a diferença mais notável entre elas, fica na distribuição do tecido adiposo. Uma paciente com lipedema apresenta concentração desproporcional de células adiposas na região dos braços, coxas, pernas e quadril. Já em pessoas que estão apenas acima do peso ideal, a gordura se distribui de forma homogênea pelo corpo. Em casos da doença, é comum que o indivíduo tenha cintura, pescoço, rosto, mãos e pés magros ou menores em proporção às áreas afetadas. Existem as exceções, em que o lipedema se desenvolve no abdômen, rosto e axilas.
Em seus estágios iniciais, o fator estético, está entre os principais problemas associados ao lipedema. A gordura que se concentra nessas regiões se confunde com o inchaço provocado pela inflamação. A doença também produz nódulos no tecido adiposo, que podem ser sentidos embaixo da pele, dando uma aparência flácida e ondulada semelhante à celulite. Outros sintomas incluem hipersensibilidade ao toque nas áreas afetadas, desconforto, sensação de peso nas pernas, inchaço constante, queda de cabelo e surgimento de equimoses (manchas roxas) nas pernas sem razão aparente.

Segundo o cirurgião vascular e membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular de São Paulo (SBACV-SP), Prof. Dr. Alexandre Campos Moraes Amato, aproximadamente 11% das mulheres são acometidas pelo lipedema. “Estima-se que varizes ocorram em 45% a 50% das mulheres e o lipedema em 11%. Portanto, logicamente, a coexistência existe. Das pacientes com lipedema, 53% têm teleangiectasias e 39% varizes”, explica.
O médico esclarece que com a progressão da doença, a inflamação do tecido adiposo agrava problemas de circulação e do sistema linfático, aumentando o inchaço e agravando a insuficiência venosa dos membros inferiores. “Como o lipedema afeta a mobilidade, também compromete a capacidade dos pacientes de perder a gordura localizada por meio de exercícios e atividade física. O impacto psicossocial da doença também é grande, com todos os estigmas ligados a casos extremos de obesidade, mas de resolução ainda mais difícil e podendo até levar a distúrbios alimentares previamente inexistentes”.

O tratamento da doença demanda de dieta restritiva e continuada, como a de pacientes hipertensos ou com diabetes, no entanto, focada em alimentos com ação anti-inflamatória, como frutas e vegetais frescos e com a exclusão de açúcares e certos tipos de gorduras. “É necessário, também, manter uma rotina de exercícios, sobretudo aeróbicos e de baixo impacto, melhorando a circulação e acarretando menor acúmulo de gordura nas regiões afetadas. As cirurgias vasculares e de lipoaspiração específica para lipedema são os tratamentos que trazem o maior benefício aos pacientes em estágios mais avançados. São recomendados, também, procedimentos de drenagem linfática e uso de dispositivos de compressão elástica para reduzir o inchaço e estimular a circulação”, finaliza.

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