Setembro é um mês de grande importância para a comunidade surda, marcado por três datas significativas: Dia Internacional da Língua de Sinais (23), Dia Nacional dos Surdos (26) e Dia Internacional dos Profissionais Tradutores de Línguas de Sinais (30). Essas datas reforçam a relevância da Língua Brasileira de Sinais (Libras) como meio fundamental de comunicação e expressão da pessoa surda.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 10 milhões de pessoas possuem alguma deficiência auditiva no país. Desses, uma parcela utiliza Libras como principal forma de comunicação. No entanto, o número de pessoas que sabem Libras no Brasil é bastante limitado se considerarmos a necessidade de comunicação acessível.
Embora não exista um levantamento oficial recente sobre o total de pessoas fluentes em Libras no país, estimativas apontam que apenas cerca de 1 milhão de pessoas tenham conhecimento da língua – incluindo surdos, intérpretes, educadores e familiares. Isso representa menos de 0,5% da população brasileira. O número é baixo, considerando o potencial de impacto que o domínio da Libras pode ter para promover uma acessibilidade real.
De acordo com a professora e intérprete de Libras de Capão Bonito, Lucilene Araújo, conhecer o básico da Libras é fundamental, pois permite uma comunicação mais eficaz e inclusiva. “Isso ajuda a promover a aprendizagem, a socialização e a participação plena das pessoas surdas em sala de aula e na sociedade como um todo. A Libras é uma língua reconhecida e completa. Ela é memória, identidade e cultura viva do povo surdo, que lutou no passado e continua lutando nos dias de hoje pelo seu reconhecimento. Portanto, é de suma importância que todos busquem aprender essa língua, tão necessária para uma verdadeira inclusão”, disse a intérprete.
Antes de se tornar professora, Lucilene Araújo trabalhava como vendedora em uma loja de roupas e calçados. Foi no local, que teve seu primeiro contato com a Língua Brasileira de Sinais, ao conhecer uma família, em que a mãe era ouvinte e os seus três filhos eram surdos. “Eles moravam em uma cidade vizinha e todos os meses faziam compras na loja onde eu trabalhava. Às vezes, a mãe não conseguia acompanhar os três jovens surdos e então a comunicação se tornava muito difícil, pois eu e os outros vendedores não sabíamos conversar em Libras e não conseguíamos entendê-los totalmente, isso fazia com que eu me sentisse muito mal”.
Ao perceber o esforço em aprender Libras, os jovens lhe ensinaram os sinais relacionados a roupas e sapatos e aos poucos foi aprendendo e conseguindo atendê-los. “Em 2007, quando decidi ser professora e iniciei minha faculdade em Letras, fiquei muito feliz em saber que a Libras faria parte da grade curricular do meu curso e me dediquei constantemente ao aprendizado da língua”.
Apesar da presença de intérpretes de Libras ter aumentado em alguns contextos, ainda há muito a ser feito para garantir a acessibilidade e inclusão em todos os aspectos da sociedade para as pessoas surdas. “É necessário melhorar a formação de intérpretes, aumentar a conscientização sobre a importância da Libras e implementar políticas de acessibilidade mais eficazes”, completou a intérprete.
Este mês, intitulado de ‘Setembro Azul’, celebra a cultura, a história e a luta contínua por acesso, inclusão e representatividade para a comunidade surda.
Para a intérprete capão-bonitense, o mês reforça a necessidade de promover a conscientização sobre a importância da acessibilidade e inclusão. “Aprenda de início o básico da Libras para conseguir se comunicar com as pessoas surdas. Respeite e valorize a sua diversidade e a individualidade. Também é de suma importância que sejam implementadas políticas e práticas de acessibilidade em todos os contextos. Assim, podemos trabalhar juntos para criar um mundo mais acessível e uma sociedade verdadeiramente inclusiva, garantindo o direito de compreender e ser compreendido por todos”, concluiu.









