Muito mal explicado

Na edição da semana passada este jornal divulgou uma matéria após uma minuciosa pesquisa sobre o caso levantado por vereadores do município, que questionaram a ocupação de um espaço do estádio municipal de Capão Bonito por uma torre de celular de uma empresa de telefonia e como estaria sendo o pagamento dos alugueis pelo uso desse espaço.

Torre esta que estava ocupando espaço antes mesmo da prefeitura retomar o controle do estádio que estava cedido em comodato há anos ao time de futebol do Elosport.

Uma das coisas que chamaram a atenção nesse caso, é que a prefeitura retomou do Elo o controle do estádio no começo do ano de 2022 e logo em seguida iniciou a discussão sobre a locação do espaço, mas após 8 meses de negociação, surpreendentemente o caso foi deixado de lado.

Mas quase 3 anos depois da retomada do estádio e somente após questionamentos dos vereadores e de publicação de matéria deste jornal, a prefeitura decidiu se movimentar.

E o que parecia já ser algo ruim acabou piorando mais ainda e ficando, no mínimo, muito estranho, principalmente quando a prefeitura entrou com uma ação na Justiça pedindo a reintegração de posse do estádio. Esta ação judicial é, no mínimo, inusitada, pois a prefeitura não só já estava de posse do estádio, como usava as instalações para vários eventos e, inclusive, para ser a sede da Secretaria Municipal de Esportes.

Além de não falar a verdade total para o Poder Judiciário, a prefeitura de Capão Bonito por sua Secretaria de Negócios Jurídicos, ao fundamentar o seu pedido judicial apresentou várias trocas de e-mails como prova da negociação que não foi concluída entre o município e a empresa detentora da exploração da torre de celular, mas essa documentação encartada na ação pouco serviu de efetivo para êxito na ação, mas confirmou na realidade a inércia da Secretaria de Governo da atual gestão.

Fica uma pergunta básica sobre esses documentos encartados na ação. Como explicar que a Secretaria de Governo negociou por 8 meses com o representante da empresa da torre de celular e simplesmente abandonou a negociação deixando as tratativas adormecidas por quase 3 anos?

A justificativa dada para os vereadores foi de que houve um erro por parte da empresa que explorava o uso do espaço para colocação da torre e isto não possibilitou o pagamento mensal dos alugueis. Será que uma empresa desse porte deixaria de pagar uma locação por quase 3 anos?

Ou será que essa solução tão pouco usual e fora das normas das boas práticas administrativas, foi articulada para não levar adiante a investigação e descobrir-se que esse aluguel caiu em mãos indevidas?

Apesar de ter sido anunciado que a prefeitura irá receber os valores pela locação de forma retroativa, o correto seria que este caso fosse muito bem explicado para que não pairasse nenhuma suspeita de irregularidade.

Mas isto não cabe à opinião pública decidir, mas sim para os vereadores que são responsáveis por fiscalizar o Executivo e para os gestores municipais que ainda pretendem serem avaliados como administradores honestos.

De todo esse imbróglio, a certeza que fica é que está tudo muito mal explicado.

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