Irresponsabilidade total

Na semana passada este jornal e outros veículos de comunicação da região noticiaram que a Justiça havia determinado a não realização da ExpoAgro de Guapiara, que estava prevista para o final da semana passada.

Nas matérias jornalísticas da imprensa regional foi possível compreender que o Ministério Público de Comarca de Capão Bonito entrou com uma ação de obrigação de não fazer contra a prefeitura guapiarense, apontando várias irregularidades técnicas, mas fundamentalmente a incapacidade financeira da prefeitura em realizar uma festa que consumiria quase 700 mil reais dos cofres públicos. Isso com o município tendo mais de 30 milhões em dívidas com precatórios trabalhistas e parcelamentos previdenciários, sem falar das dívidas com fornecedores.

Na ação movida pelo MP ainda é relatado que a prefeitura de Guapiara está sofrendo ações de cobrança judicial por parte de cantores que fizeram shows nas festas em anos anteriores e que não receberam do município.

A alegação principal da Promotoria é que a realização da festa seria uma irresponsabilidade fiscal e somente uma decisão judicial poderia impedir a realização da gastança, o que foi acolhido pela Justiça. As colocações do Mistério Público foram tão claras e evidentes que o executivo local nem sequer recorreu da decisão, certamente porque sabia das dificuldades em revertê-la.

Apesar de o prefeito ter concedido uma entrevista para uma emissora de TV da região e também ter feito vídeos tentando se justificar, alegando que os shows já estavam sendo pagos há meses, que não procedia os débitos apresentados e tentando culpar os adversários políticos pelo ocorrido, é sabido que a situação financeira da prefeitura de Guapiara é extremamente frágil.

Desde o começo de 2025 os quatro vereadores que compõem a bancada da oposição estão apontando vários problemas que afetam a prefeitura, que começou com o rompimento com a organização social que fazia a gestão da saúde municipal, com a divulgação inclusive de inúmeros vídeos feitos por médicos que alegaram não ter recebido pelo período que trabalharam no município, depois vieram várias outras denúncias em todos os setores da administração municipal, como débitos com prestadores de serviços, fornecedores e até falta de itens para a merenda escolar.

Apesar dos questionamentos dos quatro vereadores da oposição, o restante do Legislativo, extremamente ligado ao prefeito, tentou blindar a gestão e impediu que a minoria pudesse fiscalizar.

O resultado dessa blindagem pôde ser visto na semana passada, quando Guapiara passou por um vexame e viveu um dos momentos mais tristes da sua história, pois nunca houve no passado tamanha necessidade de outro poder, no caso o Judiciário, para tentar colocar a gestão financeira da cidade nos trilhos.

Que a lição sirva para que os legisladores reflitam sobre o que está acontecendo no município e que os quatro vereadores da oposição, que de forma exemplar enfrentam todas as dificuldades para exercerem seus mandatos dentro do que determina as obrigações de um vereador, não esmoreçam e continuem trabalhando para cobrar a transparência da gestão municipal. De resto espera-se que a gestão seja pelo menos um pouco mais responsável.

Veja também