Mês de Março: a História da Mulher e a Psicanálise

Walter Martins de Oliveira Psicanalista e Doutor em Educação

 

O mês de março é considerado pelo mundo afora O Mês da Mulher. Tem a ver com o dia simbólico da luta histórica (08 de março de 1857), pelas conquistas por melhores condições de trabalho, igualdade salarial, fim da violência contra a mulher, superação do machismo e tantas outras conquistas referentes aos direitos femininos. No que concerne à História da Mulher, segundo (Lins, 1997), ela está conectada à história das mudanças nas relações entre homens e mulheres desde a Pré-História, ou seja, o Paleolítico (era da Pedra lascada), o Neolítico (era da Pedra polida), e, saindo da Pré-História, a era do Bronze (3500 a.C., aproximadamente), quando surgem as primeiras cidades (as primeiras grandes civilizações), consolidando-se o Patriarcado. Para Lins (op. cit.), a sociedade pré-patriarcal era igualitária. Embora as mulheres predominassem em seus papéis em todos os aspectos da vida na estrutura pré-patriarcal, a arqueologia mostra que não há sinais de que a posição do homem fosse de subordinação, tal qual ocorre hoje referente à mulher. Por quase todo o Neolítico, os homens desconheciam sua importância na participação da procriação e entendiam que a vida pré-natal das crianças ocorria por um sopro no ventre de sua mãe humana. A Deusa-Mãe governou absoluta na história da humanidade desde o fim do período Paleolítico até o início da era do Bronze. Ao domesticarem animais (por volta de 8.000 a 11.000 a.C.), os humanos, graças à convivência e observação junto a esses animais, principalmente às ovelhas, perceberam que elas não ficavam prenhas sem a presença, no recinto, de um macho. Descobriram que apenas um carneiro poderia emprenhar mais de cinquenta ovelhas. O homem se deu conta de que a mulher não tinha, exclusivamente sobre o seu poder, os atributos de fertilidade e fecundação. Identificaram que o que fertilizava uma mulher era o sêmen de um homem. É neste momento que acontece a ruptura (homem X mulher), a divisão na história da humanidade; o homem descobre seu papel e desenvolve um comportamento autoritário e arrogante. De parceiro igualitário de milhares e milhares de anos, a mulher constata o surgimento de um déspota opressor – “…um deus masculino decretou que a mulher era inferior ao homem e que deveria ser subserviente a ele” (LINS, 1997, p. 21). Com mais força física que a mulher, impõe a superioridade ideológica e todo tipo de violência. Tudo até aqui para que fique claro que a dominação do homem sobre a mulher não é algo natural, nem inevitável. Uma vez forjado pelos humanos, por eles mesmos poderá e deverá ser dissipado. Em Freud (1905), para grande parte dos homens quando a mulher aparece como autônoma, desejante e livre, ela representa ameaça narcísica, o que significa (para essa grande parte), dar-se conta de que não controla todos os afetos, não tem todas as respostas e ameaça àquilo que internalizou como padrão em sua infância no ambiente familiar onde o pai dominava a mãe. O Patriarcado estruturou culturalmente o inconsciente delegando ao homem o poder de dominar a mulher. Homens imaturos reafirmam seu machismo transformando a mulher em um objeto manipulável. Afinal, o que o machismo revela não é força é ignorância, angústia, fragilidade psíquica e medo inconsciente.

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