A realização de uma edição dos Jogos Universitários de Medicina da Unesp em Capão Bonito, entre os dias 17 a 21 de abril, gerou muitas reclamações e questionamentos por parte de moradores e dividiu opiniões entre políticos da cidade.
Os jogos reúnem estudantes de medicina de campos da Unesp e a cada ano são escolhidas cidades como sede, que aceitem receber os jogos, cedendo instalações públicas para as competições e para alojamentos dos universitários.
Em Capão Bonito, as disputas foram realizadas no ginásio José Elias de Proença, que fica no antigo complexo esportivo Oscar Kurtz de Camargo (piscina), no ginásio de Esportes José Ermírio de Moraes (Arcão) e no estádio municipal Dr. José Sidney da Cunha (Elosport), mas o que mais chamou a atenção não foram as competições esportivas, mas sim as festas com músicas com apologia ao uso de drogas e sexo, o grande consumo de bebidas alcoólicas, excesso de lixo e som alto.
Em fevereiro, uma comissão de organização dos jogos fez uma reunião com representantes do município para traçar os planos do evento. Na época, a prefeitura publicou nas suas redes sociais, no dia 24 de fevereiro, foto e texto da reunião onde estavam os secretários Romano de Oliveira, de Relações Institucionais, e Alan Galvão, de Esportes e Turismo. Na publicação, a prefeitura disse que a realização dos jogos é vista como extremamente positiva, projetando o nome da cidade, impulsionando o comércio e o turismo local.
Na última sessão da Câmara, os vereadores situacionistas Nino Nunes e Fio Londrina usaram o plenário da Casa de Leis para elogiar o evento e enaltecer o trabalho feito pela prefeitura, através da Secretaria de Esportes. Os vereadores disseram ter recebido várias mensagens de comerciantes falando do movimento e dos lucros que o evento gerou.
Apesar da movimentação que ocorreu na cidade, moradores questionaram a competição, principalmente com relação as festas com som alto e músicas com apologia ao uso de bebidas, drogas e sexo.
O ex-vereador e ex-candidato a prefeito Heitor da Gelsa foi uma das pessoas que se manifestaram contrárias ao evento, principalmente pela apologia ao uso de drogas e disse que iria denunciar o caso ao Ministério Público, porque no seu entender houve a cessão destes equipamentos públicos sem nenhum controle e que além de incomodar moradores, foi um péssimo exemplo para a juventude local. “É preciso investigar o mau uso do espaço público para crimes como a apologia ao uso de drogas. Vou pedir a investigação do Ministério Público sobre esse uso indevido. Entendo que alguns comerciantes tiveram aumento de vendas, mas a pergunta que faço é a seguinte: É isso que queremos mostrar para nossos jovens?”, finalizou o vereador.
O ex-vereador lembrou que várias cidades do Estado e até da região já rejeitaram a solicitação de sediar a competição exatamente pelo desgaste que ela traz junto aos moradores. Entre 2017 a 2019 a prefeitura foi procurada para ceder as instalações para essa competição, mas o prefeito da época não aceitou ceder os espaços públicos para os jogos, que para muitas pessoas, mais se parecem com raves.










