Walter Martins de Oliveira – Psicanalista e Doutor em Educação
A ansiedade, especialmente nos adolescentes e jovens é, em minha experiência clínica, o que aparece com maior frequência. Segundo Marinho (2025), a ansiedade é um dos principais problemas de saúde mental, quando na forma de um transtorno. O Brasil está em primeiro lugar do mundo em número de ansiosos. De acordo com o pesquisador acima, numa reportagem da Folha de São Paulo de 2024, pela primeira vez na história do país, a taxa de ansiedade entre crianças e jovens supera a de adultos. Para Freud (1926), a ansiedade é uma resposta do ego (eu), num contexto de perigo; sua função é proteger o indivíduo de emoções intoleráveis ou de recordações reprimidas. Ele a classifica em: realista, moral e neurótica. A realista, por exemplo, aponta para o medo de perder o emprego, medo de um acidente, medo de uma tempestade etc. Concerne ao mundo externo ao sujeito e, dentro do limite, é até necessária, uma vez que ajuda a proteger a vida. A moral, está fundada no sentimento de culpa por ter praticado ações ou até mesmo por ter tido pensamentos proibidos, contra a censura interna (superego). Significa o conflito entre os desejos inconscientes e os padrões morais da sociedade, apreendidos desde a infância. Finalmente, a ansiedade neurótica. Para Marinho, esta é a mais difícil de lidar. Refere-se a um medo que não se sabe de quê. Está vinculada a traumas infantis e reverbera na adultez, atingindo especialmente o ego em estado fragilizado. Toda ansiedade pode estar ligada a uma resposta do que é externo ou a um conflito interno ao sujeito. Há as que têm origem na infância e se evidenciam na vida adulta; surgem na fase infantil a partir de vivências traumáticas que o indivíduo não conseguiu assimilar e, por isso, são reprimidas e desviadas ao inconsciente, porém, não cessam de provocar reações emocionais na idade adulta. Na prática são situações de abandono, abuso, perda de parentais, entre outras, que a criança não foi capaz de suportar; a dor emocional insuportável exigiu, como defesa do ego, reprimi-la, escondê-la no inconsciente. Como essas vivências recalcadas não desaparecem, um dia, por um estresse, o sentimento do trauma infantil retorna na vida adulta. Uma crítica severa na infância recebida de um parental (pai/mãe), por exemplo, pode deixar traumas profundos. Uma ocorrência de rejeição, experiências vividas numa família disfuncional em que a criança, impotente, não conseguiu intervir, pode gerar ataques de pânico quando adulta. Sintomas físicos, a saber: aumento dos batimentos cardíacos, tensões musculares, problemas respiratórios e hipertensão consistem na representação física do sofrimento psíquico. Eles apontam para o indivíduo em estado constante de preocupação. É o corpo denunciando o estado psíquico do sujeito. Igualmente há que considerar o estágio atual do Sistema Capitalista e as redes sociais que impactam profundamente a saúde mental. A Psicanálise oferece a oportunidade de o sujeito entender-se em seus procedimentos inconscientes. Corrobora descobrir as raízes da ansiedade, implicar-se e comprometer-se consigo mesmo; reanima-o a responsabilizar-se pelo próprio crescimento, pelo conhecimento de si mesmo e ter visão crítica no entendimento de suas questões mais profundas.









