Aproveitando o momento

As recentes delações premiadas de dezenas de diretores da empresa Odebrecht agitaram a opinião pública brasileira nos últimos dias.
A revelação de como a empresa agia comprando apoio de políticos dos mais variados partidos para que seus interesses fossem colocados em prática deixou a população ainda mais revoltada com os desdobramentos levantados pela Operação Lava Jato.
Para muitos jornalistas respeitados no país, esta operação atingiu seu ápice com a delação dos executivos da empresa que expôs os meandros das ligações de parte da classe política brasileira com as grandes empresas.
Muitos cidadãos ficaram ainda mais revoltados com as informações divulgadas pelos delatores, mas o episódio abre espaço para que sejam iniciadas reformas importantes para o país.
Uma das reformas que deveria ser feita é a do sistema político nacional que precisa urgentemente passar por uma restruturação.
A nossa classe política aproveitou a democracia conquistada a duras penas e fez com que o país passasse a ter dezenas de partidos políticos que muitas vezes só existem para acertos, acordos de venda de tempo de televisão ou mesmo para que alguns caciques possam administrar o fundo partidário.
Em qualquer democracia que conhecemos do mundo o sistema político funciona com algumas poucas legendas. Nos Estados Unidos da América onde o sistema eleitoral existe desde a independência do país, praticamente dois partidos disputam as eleições. Mesmo sendo poucos partidos, o sistema americano possibilita que pessoas que aparentemente não estejam envolvidas com o dia a dia da política possam disputar a eleição e até se elegerem para presidência da nação, basta que lembremos do caso recente do empresário Donald Trump que foi eleito há alguns meses para comandar o seu país sem ser um político tradicional.
No Brasil sob o pretexto de sermos uma democracia onde todos podem ter sua voz, possibilitamos que a cada dia surja um novo partido político que passa a ter direito ao fundo eleitoral, a propaganda gratuita em rede de televisão e, acima de tudo, que possa negociar seu apoio com os candidatos dos maiores partidos e praticamente vendendo seu espaço na televisão e no rádio.
Seria muito mais saudável se houvesse verdadeiramente atividade política dentro das legendas tradicionais existentes, com todo tipo de discussão dos temas que são importantes para o Brasil e assim ao invés de termos líderes políticos com projetos pessoais, teríamos partidos fortes com plataformas concretas e bem pré-estabelecidas a serem colocadas para escolha da população.
Nos dias atuais não há nenhum partido político que faça uma discussão efetiva sobre os problemas da nação, mas somente busca o poder para obter vantagens de alguns de seus comandantes e seus militantes.
Devemos aproveitar que as recentes delações estão desnudando as relações da classe política para que façamos uma verdadeira reforma política e eleitoral que possibilite que a democracia seja exercida de forma eficaz, onde todos possam participar, mas com regras e responsabilidades bem claras.
Se nada for feito rapidamente chegaremos a uma centena de partidos aptos a atuar no país sempre na busca por interesses pessoais ou de outras vantagens que todos conhecem, mas que em nada contribui para o crescimento da nação.

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