Pressionado, governador João Dória recua na interrupção do Projeto Guri

O governador de São Paulo, João Doria, afirmou na segunda-feira, dia 1 de abril, que não haverá nenhuma interrupção ou redução do Projeto Guri, programa sociocultural focado em jovens e adolescentes. Para isso, o governo terá que descontingenciar R$ 20,7 milhões em recursos para o programa que foram bloqueados dentro do Orçamento. Ele afirmou, também, que o projeto será ampliado em 2020, mas ponderou que os detalhes só serão apresentados ao longo do ano.
A fala de Doria ocorre após notícias, no fim de semana, de que o governo fecharia unidades do projeto por falta de verba. O secretário de Cultura do Estado, Sérgio Sá Leitão, afirmou que há dificuldades financeiras no Estado e, por isso, a pasta foi afetada por um contingenciamento orçamentário, que será revertido no caso do Projeto Guri. “Começamos a conversar com as organizações sociais para diagnosticar a situação e tomar medidas para mitigar. A medida que será tomada é um descontingenciamento para que tenhamos recursos para destinar ao longo do ano”, disse.
Ele afirmou que a decisão da organização social que administra o projeto de dar aviso prévio para mais de 600 empregados foi tomada como ‘medida preventiva’ após as conversas com o governo apontarem possíveis dificuldades financeiras futuras. Doria, no entanto, garantiu que ninguém será demitido. “Não haverá demissões. Essa é uma decisão do governador e, por enquanto, quem manda é o governador”, disse.
Sá Leitão também fez um apelo para que o setor privado contribua para a expansão do programa em 2020. Cidades onde há polos do Projeto Guri na região Sudoeste foram surpreendidas na semana passada com a medida anunciada pelo governador João Dória de encerrar as atividades do projeto.
A notícia bombástica para todas as equipes – cerca de 150 distribuídas em vários municípios paulista – foi recebida na manhã de sexta-feira, por funcionários do polo de Capão Bonito.
O polo de Capão Bonito conta com três professores e uma coordenadora.
“Foi cogitada a ideia de que em cidades onde empresas se propusessem a custear o projeto a atividade poderia continuar. Fomos pegos de surpresa, levamos um grande susto. Para todos nós foi um baque”, alegou a coordenadora Eliane Lih Ferreira.
A jornalista Mônica Bérgamo publicou na coluna que assina na Folha de S. Paulo na quinta-feira a seguinte informação: “A Associação Brasileira das Organizações Sociais de Cultura estima que museus, bibliotecas e centros culturais de São Paulo podem ser fechados ou ter suas atividades reduzidas por conta do congestionamento de R$ 148 milhões anunciado pelo Governo Estadual. Estudos apontam o encerramento de mais de 150 polos do Projeto Guri, mais de 60 mil alunos de instituições culturais poderiam ficar desassistidas”, informou a jornalista Bérgamo.

Prefeito buscou apoio para
reverter encerramento
Assim que recebeu a informação oficial do Governo de São Paulo, do PSDB, sobre o fechamento do Polo do Projeto Guri de Capão Bonito, o prefeito Marco Citadini se reuniu com os professores e coordenação do Polo de Capão Bonito para encontrar uma alternativa para esse importante projeto cultural.
O prefeito aderiu a campanha “Fica Guri” lançada nas redes sociais e aproveitou ainda para solicitar apoio e intervenção dos deputados federais Guilherme Mussi e Eli Correa junto ao Governo do Estado e também do deputado estadual Frederico D’Ávilla para reverter a medida.
“É um projeto que vem funcionando há vários anos e com resultados expressivos em Capão Bonito e região, estimulando o ensino da música. Não sei porque o governador chegou a esta decisão, mas ainda bem que ele voltou atrás”, destacou o prefeito.

Sobre o Projeto Guri
Mantido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, o Projeto Guri é considerado o maior programa sociocultural brasileiro e oferece, nos períodos de contra-turno escolar, cursos de iniciação musical, luteria, canto coral, tecnologia em música, instrumentos de cordas dedilhadas, cordas friccionadas, sopros, teclados e percussão, para crianças e adolescentes entre 6 e 18 anos.
Mais de 50 mil alunos são atendidos por ano, em quase 400 polos de ensino, distribuídos por todo o Estado de São Paulo.
Os quase 340 polos localizados no interior e litoral, incluindo os polos da Fundação CASA, são administrados pela Amigos do Guri, enquanto o controle dos polos da capital paulista e Grande São Paulo fica por conta de outra organização social.
A gestão compartilhada do Projeto Guri atende a uma resolução da Secretaria que regulamenta parcerias entre o governo e pessoas jurídicas de direito privado para ações na área cultural.
Desde seu início, em 1995, o Projeto já atendeu cerca de 770 mil jovens na Grande São Paulo, interior e litoral.

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