Aquilo que foi uma referência em estudo sobre o Reflorestamento no Brasil está à beira de um colapso total.
O Parque Federal da Floresta Nacional de Capão Bonito que ocupa 1.750 alqueires entre os municípios de Capão Bonito e Buri, conhecido pelos mais antigos como Pinho, sofre com o abandono dos últimos anos do comando nacional do ICMbio (Instituto Chico Mendes da Conservação da Biodiversidade). A falta de manutenção básica, o número quase zero de servidores para manter o local chamou a atenção de autoridades federais e estaduais que levaram o ministro do Meio Ambiente Ricardo Sales a visitar de surpresa a unidade no dia 30 de março. Onde pôde confirmar o estado de abandono do Parque que no passado chegou a contar com dezenas de funcionários para sua manutenção e também para trabalhos de pesquisa com Pinus, Eucalipto e Araucária.
O que o ministro viu e deixou exposto em seu twiter foi o que capão-bonitenses e burienses já reclamam há um bom tempo. “Conheci o Parque da Floresta Nacional de Capão Bonito, foi triste ver o abandono do local devido o descaso e má gestão dos governos passados”, disse Sales.
Em sua visita o ministro estava acompanhado do deputado estadual do PSL Frederico D’Ávila que aproveitou para apresentar aos demais membros da Assembleia Legislativa na sessão ordinária do dia 10 de abril o estado de abandono do local.
D’Avila em seu pronunciamento na tribuna da Assembleia Estadual disse que a Flona de Capão Bonito era um retrato de como o presidente Jair Bolsonaro encontrou o país após anos de governos do PT e do MDB. “O abandono da Floresta Nacional de Capão Bonito e Buri é uma pequena amostra de como o presidente Jair Bolsonaro pegou o pais”, disse o deputado do PSL.
A situação de abandono do Parque tem sido alvo de reclamação há um bom tempo. Em 2018 o engenheiro florestal Luiz Antonio Cordeiro Uchoa, que atuou por muitos anos na unidade e que era inclusive conhecido em Capão Bonito carinhosamente como Luizinho do Pinho, fez um dossiê sobre o abandono do local e protocolou nas prefeituras de Buri e Capão Bonito e também junto ao Ministério Público para que fossem tomadas medidas para imediata recuperação do manejo e manutenção da Flona.
Segundo o engenheiro, não existe mais estradas, caminhos ou mesmo picadas para acessar parte significativa da área. Os prédios das unidades estão abandonados, cobertos pelo mato, carros que serviram a unidade estão parados e sem manutenção há anos, até mesmo a igreja de São João Gualberto está tomada pelo mato.
“No atual estágio não só um banco enorme de árvores estão sob risco, a própria fauna da região corre risco em caso de um incêndio. Não é de hoje que tenho mostrado a situação. Espero que a presença do ministro dê um resultado para recuperação daquela que é uma das mais importantes unidades florestais do país”, disse Luiz Antônio Uchôa.
Para o engenheiro, se nada for feito urgentemente em caso de um incêndio toda a floresta pode ser devastada, pois não há inclusive estradas para se chegar a boa parte da unidade para que bombeiros possam fazer o combate ao incêndio.
A Floresta de Capão Bonito foi criada no último governo do ex-presidente Getúlio Vargas para incentivar o uso de madeira de reflorestamento na construção civil que até aquela época usava madeira das florestas brasileiras que já davam sinal de escassez.
A ideia do governo Vargas era fazer estudos para desenvolver variedades de árvores que pudessem ser reflorestadas e usadas para construção civil evitando o desmatamento das florestas naturais do país.
Recentemente pesquisadores australianos estiveram no Parque para estudar árvores de eucalipto que estariam em extinção na Oceânia, mostrando o quanto a floresta é importante para o reflorestamento no Brasil e no mundo.
No passado o local era palco de festas, bailes e tinha importância econômica aquecendo o mercado de Buri e Capão Bonito devido a muitos servidores e seus familiares que existiam no local e também os planos de manejo que estimulavam a atividade madeireira na região. Hoje apesar de ter um novo plano aprovado, o que se vê é um local tomado pelo mato e retrato do abandono que tomou conta de muitas áreas públicas do país.
Uma das pessoas que mais conhecem o local, o engenheiro Luiz Antônio Cordeiro Uchôa, concluiu seu relato fazendo um autêntico desabafo. “Encaminharei nossa preocupação, com o descaso do poder público, em não cumprir os requisitos básicos com relação a prevenção de incêndios florestais. Solicito aos educadores desta região, que conscientizem seus alunos a assumirem esta empreitada, abraçar esta floresta agora, enquanto ainda está cheia de vida e não depois, quando virar cinzas de uma catástrofe, em cima de restos mortais da mãe natureza”, alertou.









