O clima tem sido quente nas últimas sessões da Câmara de Capão Bonito. Há mais ou menos um mês, o vereador Daan Cabeleireiro, do MDB, que era o único que procurava fiscalizar os atos do Executivo, inesperadamente viu outros colegas, que até alguns dias atrás eram considerados da base governista, passarem a fazer questionamentos sobre projetos e ações do governo municipal que têm gerado reclamações da população.
Entre os questionamentos feitos estão obras públicas não concluídas, a situação dos servidores municipais de carreira, mas o que tem chamado mais a atenção está relacionado a contratação de pessoal, através de convênio, para atuarem na área da saúde do município, mais precisamente no setor de especialidades médicas.
Nas duas últimas sessões, vereadores estão pedindo informações e documentos para serem enviados à Casa de Leis, isso tudo após aprovação de requerimentos por unanimidade dos demais vereadores da Casa de Leis.
Pelo teor dos discursos dos vereadores autores dos projetos, nitidamente existem, no mínimo, sérias dúvidas sobre como foram feitas as contratações de pessoal para atuar na Organização Social.
Segundo os vereadores, há denúncias de que alguns funcionários não estariam cumprindo o expediente, também indícios de possíveis privilégios na realização de exames e consultas para amigos de pessoas influentes, que são conhecidos como “fura-fila” da saúde, até mesmo acúmulo de funções por parte de alguns funcionários estariam sendo citados e há a desconfiança de que existiriam até funcionários fantasmas.
Logicamente que pode haver algum exagero nestas questões levantadas pelos edis, mas é direito e mais do que isso, é dever dos vereadores questionarem o Poder Executivo para responder todas as dúvidas e eventuais denúncias trazidas aos membros do Legislativo pela população.
Os fatos dos últimos dias no Legislativo só mostram, felizmente, alguns membros da Casa de Leis entenderam que ao exercerem sua função fiscalizadora não prejudicam a gestão, mas sim colaboram para que eventuais erros sejam corrigidos.
Obviamente que nesta disputa há o fator político e nos corredores do Legislativo comenta-se que ao mexer com as contratações do convênio com a Organização Social os vereadores estariam atingindo a caixa preta da atual administração, mas para a opinião pública fica a sensação de que pelo menos agora não existe somente um único vereador tentando sozinho fazer o papel que deveria ser de todos os edis. E isso já é mais do que positivo.









