Durante o Agosto Branco, mês dedicado à conscientização sobre o câncer de pulmão, e em alusão ao Dia Nacional de Combate ao Fumo (29), especialistas reforçam que a prevenção, o diagnóstico precoce e as novas tecnologias cirúrgicas são fundamentais para mudar a trajetória dessa condição. O câncer de pulmão representa um dos maiores desafios oncológicos e de saúde pública no Brasil. Sendo a principal causa de morte por câncer no país, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 35.380 novos casos anuais para o triênio 2026–2028, afetando aproximadamente 18.730 homens e 16.650 mulheres.
O tabagismo, seja ativo ou passivo, continua sendo o principal fator de risco, responsável por cerca de 85% dos casos. O alerta se estende também aos novos dispositivos, como os cigarros eletrônicos (vapes) e narguilés, que contêm substâncias tóxicas e cancerígenas. No entanto, vale ressaltar igualmente a atenção aos fatores como genética, exposição à poluição e substâncias químicas, pois são responsáveis por cerca de 15% dos pacientes diagnosticados que nunca fumaram.
Nas suas fases iniciais, o câncer de pulmão raramente apresenta sintomas, o que o torna uma doença silenciosa. Quando os sinais de alerta aparecem, os mais comuns incluem: tosse persistente, falta de ar, dor no peito, perda de peso sem motivo aparente e cansaço extremo e tosse com sangue.
O diagnóstico precoce é o fator que mais impacta o sucesso terapêutico. Descobrir o tumor enquanto ele ainda é pequeno eleva as chances de cura para mais de 70%. Para isso, a tomografia computadorizada de baixa dose é o exame padrão-ouro para o rastreio, especialmente em pessoas entre 50 e 80 anos com histórico de tabagismo, uma vez que o Raio-X comum de tórax muitas vezes não é capaz de detectar tumores em fases muito iniciais.
Hoje, a medicina oncológica atua com o conceito de medicina de precisão. O tratamento deixou de ser único para todos e passou a considerar a genética do tumor, envolvendo equipes multidisciplinares compostas por oncologistas, pneumologistas e cirurgiões torácicos. Dependendo do estágio da doença, as opções variam entre quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e cirurgia.
“O câncer de pulmão é uma doença grave, mas que tem cura, especialmente quando diagnosticada de forma precoce. Hoje, a escolha da abordagem ideal avalia detalhadamente o estágio e as características clínicas de cada paciente. Em casos selecionados, especialmente naqueles de fase inicial, a cirurgia é uma etapa central do tratamento com intenção curativa”, explica o Dr. Ricardo Terra, cirurgião torácico, livre-docente pela USP e presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica (SBCT).
Nesse contexto cirúrgico, a tecnologia trouxe uma verdadeira revolução. O que no passado exigia a toracotomia (grandes cortes no tórax e o afastamento das costelas), hoje é realizado de forma minimamente invasiva por meio da cirurgia torácica assistida por vídeo (VATS, na sigla em inglês).
Além de devolver qualidade de vida ao paciente, o avanço das cirurgias minimamente invasivas gera um impacto positivo sistêmico. A redução do tempo de internação em UTI, do uso de medicamentos para dor e das taxas de infecção hospitalar contribuem diretamente para a sustentabilidade e eficiência dos sistemas de saúde, tanto na rede privada quanto no Sistema Único de Saúde (SUS), permitindo que mais vidas sejam salvas com recursos otimizados.









