O ronco em crianças não é considerado normal. Embora possa aparecer de forma passageira durante episódios de congestão nasal, o ronco frequente deve ser investigado por um especialista. Afinal, dormir bem é essencial para o desenvolvimento físico, emocional e cognitivo da criança. E quando existe alguma obstrução das vias aéreas ao longo do sono, a qualidade desse descanso pode ser comprometida.
“Se seu filho ronca com frequência, apresenta pausas na respiração, sono agitado ou qualquer alteração durante o descanso, procure avaliação com um otorrinolaringologista pediátrico. Desta forma, o diagnóstico precoce permite identificar a causa do problema e iniciar o tratamento adequado, contribuindo para um desenvolvimento saudável e mais qualidade de vida para a criança”, orienta a otorrinolaringologista pediátrica Juliana Benthien Cavichiolo, do Hospital Pequeno Príncipe.
Segundo a especialista, os pais devem ficar atentos se a criança apresentar ronco frequente, especialmente fora dos períodos de gripe ou resfriado. Alguns sinais podem indicar a necessidade de avaliação com um otorrinolaringologista pediátrico para identificar a causa do problema como: ronco quase todas as noites, respiração pela boca durante o sono, sono agitado e com esforço para respirar e pausas na respiração ao longo do sono.
Quando a criança apresenta pausas na respiração durante o sono, esse é um importante sinal de alerta, pois pode indicar apneia obstrutiva do sono (AOS), condição em que a passagem do ar é interrompida repetidamente no descanso.
“A causa mais comum do ronco é o aumento das amígdalas e da adenoide, estruturas que podem obstruir parcialmente a passagem do ar durante o sono. Porém, outras condições também podem estar relacionadas ao problema, como rinite alérgica, desvio de septo e alterações na mordida e no desenvolvimento da face. Portanto, cada criança deve ser avaliada individualmente para identificar-se a origem”, explica a otorrinolaringologista.
Para a médica, o diagnóstico deve começar com uma avaliação clínica detalhada e um exame físico realizado pelo otorrinolaringologista pediátrico. “Quando necessário, podem ser solicitados exames como nasofibroscopia e raio-X de cavum. Na maioria dos casos, esses exames são suficientes para identificar a causa da obstrução e definir o tratamento mais adequado”, afirma.
Em casos em que a criança apresenta um quadro obstrutivo associado ao aumento das amígdalas ou da adenoide, é indicado a realização de uma cirurgia. “Nessas situações, a retirada dessas estruturas costuma proporcionar melhora significativa da respiração enquanto ela dorme, da qualidade do descanso e da qualidade de vida da criança. Mas a indicação sempre deve ser feita após avaliação médica individualizada”, ressalta Juliana Benthien Cavichiolo.
De acordo com a otorrinolaringologista pediátrica, quando não tratado, o ronco associado à obstrução das vias aéreas pode afetar diversas áreas do desenvolvimento infantil. “As consequências podem incluir: alterações no crescimento e ganho de peso,
dificuldade de aprendizado, atenção e memória, prejuízo no desenvolvimento neuropsicológico, alterações no desenvolvimento da face e mordida, e comprometimento cardíaco e pulmonar, nos casos mais graves”.
Por isso, identificar e tratar o problema precocemente faz toda a diferença para a saúde da criança.









