Essa pergunta, foi originariamente empregada por Lourenço Dia-féria, em uma crônica no Jornal Folha de São Paulo com o título de “ Até você Candinho?”.
Isso ocorreu nos anos setenta, época que a atribulada vida em São Paulo só nos concedia o sábado para as leituras dos colunistas dos jornais.
Foi numa dessas manhãs , em que me encontrava cheio de saudades de Capão Bonito, que me deparei com a crônica citada,desse jornalista que é considerado um dos maiores cronistas de São Paulo.
Com o título original, o colunista invitava as pessoas comparecerem em uma Bienal que estava acontecendo no Parque do Ibirapuera em São Paulo, com a presença de expositores de várias artes, alguns até internacionais.
Entretanto, para o cronista, o destaque maior da exposição seria contar até com a presença de Candinho, um moço de uma pequena cidade perto de Piracicaba-SP, expondo os quadros que pintava com muita sensibilidade a lida caipira, ressaltando o principal deles, o de umas galinhas ciscando no terreiro.
Aquele foi o toque, que aliado a minha saudade de casa, levou-me àquela Bienal, na qual, ao encontrar o espaço onde os quadros do Candinho estavam expostos,constatei que todos eles já estavam com a faixa de vendido.
Quanto ao quadro das “Galinhas no Terreiro”, o comprador levou de imediato para assegurar a compra.
A bibliografia de Lourenço Diaféria é muito extensa, e inclui cronicas que marcaram época em São Paulo, entre elas “Herói” e uma outra, a qual peço que façam um afago em seus corações: assistam no Youtube, o vídeo “Memórias Marcantes”a leitura da “Crônica dos Pães”.
Tanto nesta, como em outras cronicas do Lourenço Diaféria, há sempre a predominância da presença de pessoas simples e anônimas aliadas aos fatos do cotidiano. É a notória simplicidade do Candinho que me remete ao nosso Chiquinho, direcionado não só pelo diminutivo dos nomes, mas por se tratar igualmente de um moço simples, também morador em uma pequena cidade do interior, e, ser um pintor que expressa com muita alma e sensibilidade, como se constata, em sua vasta obra.
Conheci o Chiquinho Honorato, um mocinho meio frágil que sentava nas carteiras da frente no velho Ginásio da Rua Direita, nos velhos anos cin-quenta, quando nos intervalos das aulas a gente costumava olhar os desenhos que ele fazia.
Desde esse tempo ele já dominava a técnica dos esboços dos desenhos do Walt Disney, e já desenhava com muito talento as expressões rudes de Índios e Cowboys.
O Chiquinho Honorato tem seus quadros, diversos deles com temas ousados, enriquecendo muitas paredes em nossa cidade.Ele era sempre convidado para restauros de igrejas em outras cidades, mercê do magnífico trabalho em nossa Igreja Matriz, considerada re-ferência em beleza e uma das mais bonitas do Estado de São Paulo. Para quem pouco tem entrado em nossa Igreja Matriz, lembro que nestas mesmas linhas em fevereiro deste ano, eu citei que havia na parede do lado direito de quem sai da igreja, uma grande pintura que representa o encontro da imagem de Nossa Senhora de Aparecida pelos pescadores do Rio Paraíba. Um dos pescadores, com os braços e as rudes expressões de trabalhadores ao sol, é o Chi-quinho Honorato, ele colocou seu rosto num dos pescadores como assinatura da bela obra.
Na última vez que estive em Capão Bonito, no Senadinho, em conversa com um amigo de máxima credibilidade, ao me referir a pintura citada ele me afiançou que havia um quadro do Chiquinho exposto numas das salas no Vaticano.
Com todo resguardo possível de modéstia, imaginando o tempo e a importância dos artistas que expõem naquele País, comparo-me ao grande Cronista: Até você Chiquinho?
Antonio Isidoro de Oliveira (Poli)
Poli.oliveira@terra.com.br









